Com teto de gastos vigente, uma esquerda de uma forma geral bem paralisada e uma disputa entre fascistas, liberais e liberais mais “bonzinhos” se estabelece como o único mundo possível.
Os atores políticos podem até ser diferentes e vamos concordar, representam setores diferentes da burguesia, mas o projeto neoliberal permanece firme.
Avaliando assim, da perspectiva da maioria da população, política continua sendo uma coisa distante que enraba a gente diariamente. Nesses últimos anos, ainda que isso seja comum em toda discussão sobre a esquerda, não houve uma grande mudança na organização popular.
Ainda é difícil de se organizar da mesma forma, os sindicatos ainda tem dificuldade de empolgar e mobilizar (com raras exceções), os partidos ainda tem uns vícios típicos dos partidos brasileiros, sabe aquela coisa de não saber muito bem se organizar, de sofrer brigas pequenas, de ter uma dificuldade tremenda de coordenação.
A música com certeza é essa sobre austeridade.
Por fim, você tem algumas iniciativas de coletivos fora desses dois campos, que estão fazendo “alguma coisa”, mas que sofrem de não ter o mínimo de coordenação que um partido, ou um movimento social mais tradicional teria.
Por exemplo, o movimento VAT, se você for olhar por proporção e tal, no que chegou, conseguiu fazer mais movimentação política que muitos sindicatos, partidos, parlamentares, movimentos sociais mais antigos.
Cabe a gente perguntar, quais são as condições que dificultam tanto essas organizações mais antigas de se mobilizarem como o VAT. Ao mesmo tempo, eu questiono a capacidade do VAT em levar em frente seus objetivos políticos.
Se você divide a política em institucional, partidária organizada de rua e esses movimentos espontâneos, você vai perceber uma coisa muito interessante, eles são interdependentes, ao mesmo tempo que hoje, o cenário é de falta de coordenação.
Vamos voltar no VAT. Você tem sindicatos, partidos políticos, até mesmo os temidos e odiados DCEs, que poderiam usar dessa plataforma do VAT e toda visibilidade que possui, para puxar essa discussão dentro dos espaços que eles estão presentes.
Pensando nas instituições, é possível começar discussões, pesquisas, consultorias, etc, para tentar fazer o fim da escala 6x1 dentro dessas instituições. Então, aqui falo de escola, creche, secretárias, etc. Existem muitas vezes mecanismos internos das instituições que permitem mudanças desse tipo.
Quando ela efetivamente foi feita, já existia um certo consenso geral que aquilo era normal. Não era uma coisa tão bem vista como é hoje. Foi criado um consenso, uma cultura em cima disso aos poucos. Esses coaches financeiros tiveram tanta importância quanto o próprio Temer em por essa reforma em vigor.
E assim, a gente aqui sabe que os partidos, principalmente os que estão no governo, tem capacidade técnica mínima de olhar movimentos como o VAT e querer colar junto. Por isso existe assessoria, e assim, é o tipo de coisa que me irrita : essa gente aí sabe até melhor do que eu sobre isso.
Enfim, essas iniciativas digamos espontâneas, aí você pode jogar a Soberana, a grande quantidade de coletivos que se formaram nesses últimos anos, VAT, etc, tem alguns casos de sucesso, digamos assim. Tipo assim, algumas coisas vem dando certo, mas não é necessariamente a regra.
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pov : eu na sua frente |
Sendo bem sincera, falando agora por mim assim : é extremamente cansativo e frustrante ver que as pessoas não entendem que as coisas funcionam de forma social. Não basta, fulano, ciclano, beltrano, conseguirem individualmente as coisas e subirem na vida. Bom para eles, mas e o resto ?
Posso até soar bem mesquinha, mas isso é um fato : ficar bem individualmente é usar um vestido feito de seda egípcia no lixão. A merda vai pegar no seu vestido, vai ser difícil andar com tanto lixo no chão, então VOCÊ PRECISA TRABALHAR PARA MELHORAR O MUNDO PARA TODOS.
Tô escrevendo isso 1 hora da manhã, então não me julguem tanto, quando eu digo que hoje, a coisa que mais dificulta a vida de todo mundo, é o fato das pessoas terem essa incapacidade quase que patológica de socializar.
Um dos grandes motivos do dinheiro “funcionar” tão bem como médium das relações sociais, é o fato de que as pessoas têm dificuldade de socializar.
Em parte o problema da miséria pegar tão forte nas pessoas é porque você não tem literalmente ninguém para te ajudar se você precisar. Nem mesmo o Estado, que em parte, surgiu para pelo menos dar alguma segurança, nem ele é mais presente.
“Te vira aí”.
É triste porque para mim fica muito claro que a única forma de você “fazer coisas” ou é tendo dinheiro, ou sendo a porra da pessoa mais manipulativa e escrota do mundo. Você abusar do fato de que TODO MUNDO É CARENTE para usar desse afeto e conseguir coisas.
O que é o Only fans senão a monetização da solidão ? Não é sobre nudes, é muito mais sobre ter a atenção de “alguém que você gosta” de forma parassocial.