Jpegmafia é um rapper conhecido por fazer músicas com um viés mais de esquerda radical. Kanye West por outro lado…
E recentemente, Kanye West lançou um álbum Vultures e nesse álbum, Jpegmafia produziu uma série de músicas. Muitos fãs viram isso como problemático, já que seria algo completamente conflituoso com o que Jpegmafia dizia em suas músicas, sobre bater em fascistas e matar policiais.
Eu acho e aqui até uma questão das pessoas não compreenderem muito essa relação de artista e um fã, como também uma certa incompreensão da estrutura econômica que sustenta o status quo.
Jpegmafia nunca escondeu ser fã de Kanye West, e diferente do que muita gente toma como opinião dele, sempre vinha de forma muito ambígua, performativa nas músicas, suas opiniões no Twitter e Instagram sempre foram conhecidamente shitpost. Existe uma certa performatividade excessiva por conta da nossa era digital.
O que muita gente não presta atenção num artista como Jpegmafia (e mesmo o contexto cultural, momento histórico e sua vida de preto na América) é que ele nunca fixou muito bem suas ideias. No sentido de que o que ele falava por aí e tal, nunca passou muito de palavras ao vento.
Existe aqui um pequeno teatro. Pode ser até que alguma coisa do que ele diz, ele realmente acredite e até mesmo seja um bravo defensor, mas muita coisa é parte do show. Muito do que eu vou dizer vale para muitos artistas de punk, vaporwave, para a música gótica, para o grunge, por exemplo.
Podemos dizer que até o hair metal, existia uma separação entre palco e “vida real” por assim dizer. A banda que mais radicalmente, só para servir de exemplo, é muito claramente isso é o Kiss.
No palco eles são rockstars e na ”vida real”, pessoas comuns e tal. Isso começou a mudar gradualmente quando a vida do artista começava a sair dos palcos e ganhou esse status de vigilância perpétua atual. Mesmo o Kiss passou por isso.
Não bastava mais fazer uma performance teatral no palco, a vida fora dele passou a ser tão importante quanto. Não bastava fazer um grande show num palco, era necessário ser tudo aquilo que se diz que é no palco. O punk rock é um bom exemplo dessa prática, não bastava falar um monte de coisa no palco, era preciso “ser punk de verdade”.
Claro que aqui, estamos resumindo por brevidade, mas é muito claro que essa condição do trabalho é generalizada.
Tudo começa com o seu patrão podendo te ligar no telefone fixo, passando pelo pager, pelo telefone tijolão até chegar na comunicação instantânea do smartphone. A sua disponibilidade, assim como sua “máscara de trabalhar” precisa ficar o tempo todo em alerta. Você não pode mais bater o ponto e largar o corpo de drone corporativo, é preciso ser um drone corporativo o tempo todo.
Para os grandes artistas, que foram o laboratório desse tipo de trabalho performático que todos fazem hoje em dia, isso obviamente veio mais cedo.
A grande questão que eu quero apontar é que, e isso é muito óbvio quando a gente fala de Kanye West, de um lado, existe uma “falsidade” generalizada que faz com que “parecer mais verdadeiro”, vire um valor moral positivo. Não precisa ser um grande gênio para ver que a “falsidade” é generalizada e isso tem causa, na organização político social da sociedade neoliberal.
“Dizer o que pensa”, “passar a real”, são coisas que recebem um olhar muito positivo das pessoas. Mas a grande contradição aqui é que mesmo essa “autenticidade” (e dentro dessa teoria do jogo moral capitalista, não tem coisa que faça mais sentido) pode ser simplesmente emulada.
Da mesma forma que se finge acreditar em Deus para não sofrer uma exclusão social, muita gente faz determinados “tipos ideais” com o propósito de ganhar algum benefício social em certos campos. Na mesma medida que uma empresa diz que tem o melhor produto do mundo, você como uma mercadoria, faz a mesma coisa quando coloca o rosto de funcionário do mês honesto.
Muito por isso que Nietzsche defende ser imoralista, porque conforme o valor moral corrente, por mais que até exista esse ser ideal ascético da cabeça de Platão, Kant e cia, não tem nada que impeça que no “jogo social” nós, que temos todo tipo de defeito, de simularmos o que é bom para se beneficiar do prestígio social, isto é, do poder político que parecer o bonzinho moral te traz ou de inventar uma moral que nos coloque num palanque de fodões.
(E claro, a gente pode dizer que Nietzsche quer dar uma de diferentão falando não ter uma moral, mas a questão e a lição mais importante que ele acaba nos ensinando é a arbitrariedade que a moral tem. Basta você ter alguma credibilidade e saber escrever “num tom sábio”, que você consegue criar discípulos até cansar. Você cria uma certa autoridade, é muito ingênuo, por exemplo, acreditar que todo profeta não tem objetivos políticos. Então, a questão é criar uma sociedade que a gente, grosso modo, possa amar, criar, ser, como a gente quer ser, sem todas as amarras da moralidade, justamente porque a gente não vai precisar ficar lutando entre si para conseguir o básico e que a gente brigue, pelo menos de rosto limpo)
Numa sociedade de competição e de uma guerra de todos contra todos no globo da morte do capital, toda vantagem possível é necessária para sobreviver.
Eu vejo tanto em Kanye e Jpegmafia, duas figuras que esbanjam ser autênticas, de dizerem o que pensam, ao mesmo tempo que personagens que souberam jogar muito bem as cartas do momento para parecerem relevantes.
A situação política, mesmo na pequena bolha da esquerda, é de criar muita gente que faz coisas dentro de uma determinada formação, de uma determinada postura, etc - para agradar uma determinada parte do status quo, justamente porque não há uma outra força política que desafie esse status quo.
O exemplo máximo disso é o petismo ao escrever a carta ao povo brasileiro onde garante que nunca vai enfrentar o agronegócio e o mercado financeiro. Isso é uma jogada justamente para conseguir a benção do status quo, e a gente pode até julgar Lula, mas o que ele poderia fazer de diferente num Brasil tão anticomunista, com movimento de massa destroçado e desacreditado, em especial desestruturado, num pós-queda da URSS ?
O clima era de fim de futuro, de realismo capitalista bem no sentido de que Fisher descreve. Muito dessa incapacidade da gente oferecer um futuro vem da nossa incapacidade de dar alguma coisa no presente. Tanto no caso de Kanye, Jpeg, da menina que foi se drogar, do seu amigo que virou ANCAP, do seu tio nazi, é simplesmente porque esses espaços da direita (e saiba bem que isso tem uma função contra-revolucionária precisamente), oferecem algum benefício social ou coisa do tipo.
Pouco a gente fala, por exemplo, da solidão que é a vida do idoso. Muitos amigos morreram, muitos deles se aposentaram, não tem um lugar de trabalho para ir, a saúde está deteriorada, por mais que o espaço conservador seja hostil, lá eles recebem atenção, as pessoas vem conversar com eles, escutam suas histórias.
Quando a gente fala de status quo, é toda uma grande estrutura política e organização material que mexe com a sociedade inteira. É o tal do “sistema”. É aquela coisa, todo mundo odeia os grandes monopólios, mas a grande questão é que eles são inescapáveis, justamente porque eles controlam as estruturas que permitem a organização da vida.
Se você for mexer com qualquer coisa que envolva riqueza, é impossível de fazer isso sem algum banco poderoso estar envolvido no meio. O fluxo do capital, seja para você pegar um empréstimo para comprar um carro novo, seja para fazer obras no seu Estado, só é possível de ser feito e só pode ser feito, com a estrutura bancária mundial burguesa e que é protegida pelo centro do capitalismo.
É como se eles controlassem uma ponte e você se quiser passar, inevitavelmente vai ter que usar a ponte deles.
Por isso existe erroneamente a ideia de que se a gente destruísse todos os monopólios burgueses, seria impossível da sociedade funcionar, essa ideologia tem como base a verdade de que os monopólios controlam tudo e mandam e desmandam nas coisas. Só que isso mudaria de caráter, e aqui a gente lê a teoria marxista de Estado, se a gente tomasse as rédeas desse monopólio e usasse desse poder para o proletariado. Essa é a função do estado socialista.
Tem uma função inclusive geopolítica, não tem como você combater outros estados nacionais bem organizados sem uma organização tão ampla ou mais, quanto. Se você for pensar em uma guerra, existe uma diferença radical entre um exército treinado organizado e uma força militar desorganizada. Pode até ser que o exército organizado seja menor, mas ele tem uma capacidade infinitamente maior de causar estrago pelo simples fato de estar organizado. Com o tipo de guerra que nós temos hoje, não é necessário usar tantos homens, é uma questão mais de saber jogar o jogo da inteligência e saber exatamente onde acertar.
O problema da cooptação ideológica tem uma base material muito clara. Você só vai longe na sociedade, ou seja, se você quer fazer coisas, você vai ter que lidar com o poder político que controla tudo. Se um produtor como Jpegmafia ou mesmo Kanye, querem realmente serem grandes e ir longe, é preciso beijar algum anel com um sol negro.
O que faria isso ser diferente ? Nós termos uma estrutura e organização nossas que possam bater de frente com as estruturas do capital. A questão é que o seu artista preferido virar um facho, ou liberal (mesma coisa btw), é uma questão de monopólio da mídia. Não importa muito se ele já acreditava no que dizia ou não, mas falando principalmente de um espaço, que tem uma função doutrinadora, ideológica, faz sentido que ele comece defendendo determinadas posições, de emular uma personagem, para simplesmente ganhar algum espaço no sol.
Não se surpreenda com o dia que Don L virar reaça.
E recentemente, Kanye West lançou um álbum Vultures e nesse álbum, Jpegmafia produziu uma série de músicas. Muitos fãs viram isso como problemático, já que seria algo completamente conflituoso com o que Jpegmafia dizia em suas músicas, sobre bater em fascistas e matar policiais.
Eu acho e aqui até uma questão das pessoas não compreenderem muito essa relação de artista e um fã, como também uma certa incompreensão da estrutura econômica que sustenta o status quo.
Jpegmafia nunca escondeu ser fã de Kanye West, e diferente do que muita gente toma como opinião dele, sempre vinha de forma muito ambígua, performativa nas músicas, suas opiniões no Twitter e Instagram sempre foram conhecidamente shitpost. Existe uma certa performatividade excessiva por conta da nossa era digital.
O que muita gente não presta atenção num artista como Jpegmafia (e mesmo o contexto cultural, momento histórico e sua vida de preto na América) é que ele nunca fixou muito bem suas ideias. No sentido de que o que ele falava por aí e tal, nunca passou muito de palavras ao vento.
Existe aqui um pequeno teatro. Pode ser até que alguma coisa do que ele diz, ele realmente acredite e até mesmo seja um bravo defensor, mas muita coisa é parte do show. Muito do que eu vou dizer vale para muitos artistas de punk, vaporwave, para a música gótica, para o grunge, por exemplo.
Podemos dizer que até o hair metal, existia uma separação entre palco e “vida real” por assim dizer. A banda que mais radicalmente, só para servir de exemplo, é muito claramente isso é o Kiss.
No palco eles são rockstars e na ”vida real”, pessoas comuns e tal. Isso começou a mudar gradualmente quando a vida do artista começava a sair dos palcos e ganhou esse status de vigilância perpétua atual. Mesmo o Kiss passou por isso.
Não bastava mais fazer uma performance teatral no palco, a vida fora dele passou a ser tão importante quanto. Não bastava fazer um grande show num palco, era necessário ser tudo aquilo que se diz que é no palco. O punk rock é um bom exemplo dessa prática, não bastava falar um monte de coisa no palco, era preciso “ser punk de verdade”.
Claro que aqui, estamos resumindo por brevidade, mas é muito claro que essa condição do trabalho é generalizada.
Tudo começa com o seu patrão podendo te ligar no telefone fixo, passando pelo pager, pelo telefone tijolão até chegar na comunicação instantânea do smartphone. A sua disponibilidade, assim como sua “máscara de trabalhar” precisa ficar o tempo todo em alerta. Você não pode mais bater o ponto e largar o corpo de drone corporativo, é preciso ser um drone corporativo o tempo todo.
Para os grandes artistas, que foram o laboratório desse tipo de trabalho performático que todos fazem hoje em dia, isso obviamente veio mais cedo.
A grande questão que eu quero apontar é que, e isso é muito óbvio quando a gente fala de Kanye West, de um lado, existe uma “falsidade” generalizada que faz com que “parecer mais verdadeiro”, vire um valor moral positivo. Não precisa ser um grande gênio para ver que a “falsidade” é generalizada e isso tem causa, na organização político social da sociedade neoliberal.
“Dizer o que pensa”, “passar a real”, são coisas que recebem um olhar muito positivo das pessoas. Mas a grande contradição aqui é que mesmo essa “autenticidade” (e dentro dessa teoria do jogo moral capitalista, não tem coisa que faça mais sentido) pode ser simplesmente emulada.
Da mesma forma que se finge acreditar em Deus para não sofrer uma exclusão social, muita gente faz determinados “tipos ideais” com o propósito de ganhar algum benefício social em certos campos. Na mesma medida que uma empresa diz que tem o melhor produto do mundo, você como uma mercadoria, faz a mesma coisa quando coloca o rosto de funcionário do mês honesto.
Muito por isso que Nietzsche defende ser imoralista, porque conforme o valor moral corrente, por mais que até exista esse ser ideal ascético da cabeça de Platão, Kant e cia, não tem nada que impeça que no “jogo social” nós, que temos todo tipo de defeito, de simularmos o que é bom para se beneficiar do prestígio social, isto é, do poder político que parecer o bonzinho moral te traz ou de inventar uma moral que nos coloque num palanque de fodões.
(E claro, a gente pode dizer que Nietzsche quer dar uma de diferentão falando não ter uma moral, mas a questão e a lição mais importante que ele acaba nos ensinando é a arbitrariedade que a moral tem. Basta você ter alguma credibilidade e saber escrever “num tom sábio”, que você consegue criar discípulos até cansar. Você cria uma certa autoridade, é muito ingênuo, por exemplo, acreditar que todo profeta não tem objetivos políticos. Então, a questão é criar uma sociedade que a gente, grosso modo, possa amar, criar, ser, como a gente quer ser, sem todas as amarras da moralidade, justamente porque a gente não vai precisar ficar lutando entre si para conseguir o básico e que a gente brigue, pelo menos de rosto limpo)
Numa sociedade de competição e de uma guerra de todos contra todos no globo da morte do capital, toda vantagem possível é necessária para sobreviver.
Eu vejo tanto em Kanye e Jpegmafia, duas figuras que esbanjam ser autênticas, de dizerem o que pensam, ao mesmo tempo que personagens que souberam jogar muito bem as cartas do momento para parecerem relevantes.
A situação política, mesmo na pequena bolha da esquerda, é de criar muita gente que faz coisas dentro de uma determinada formação, de uma determinada postura, etc - para agradar uma determinada parte do status quo, justamente porque não há uma outra força política que desafie esse status quo.
O exemplo máximo disso é o petismo ao escrever a carta ao povo brasileiro onde garante que nunca vai enfrentar o agronegócio e o mercado financeiro. Isso é uma jogada justamente para conseguir a benção do status quo, e a gente pode até julgar Lula, mas o que ele poderia fazer de diferente num Brasil tão anticomunista, com movimento de massa destroçado e desacreditado, em especial desestruturado, num pós-queda da URSS ?
O clima era de fim de futuro, de realismo capitalista bem no sentido de que Fisher descreve. Muito dessa incapacidade da gente oferecer um futuro vem da nossa incapacidade de dar alguma coisa no presente. Tanto no caso de Kanye, Jpeg, da menina que foi se drogar, do seu amigo que virou ANCAP, do seu tio nazi, é simplesmente porque esses espaços da direita (e saiba bem que isso tem uma função contra-revolucionária precisamente), oferecem algum benefício social ou coisa do tipo.
Pouco a gente fala, por exemplo, da solidão que é a vida do idoso. Muitos amigos morreram, muitos deles se aposentaram, não tem um lugar de trabalho para ir, a saúde está deteriorada, por mais que o espaço conservador seja hostil, lá eles recebem atenção, as pessoas vem conversar com eles, escutam suas histórias.
Quando a gente fala de status quo, é toda uma grande estrutura política e organização material que mexe com a sociedade inteira. É o tal do “sistema”. É aquela coisa, todo mundo odeia os grandes monopólios, mas a grande questão é que eles são inescapáveis, justamente porque eles controlam as estruturas que permitem a organização da vida.
Se você for mexer com qualquer coisa que envolva riqueza, é impossível de fazer isso sem algum banco poderoso estar envolvido no meio. O fluxo do capital, seja para você pegar um empréstimo para comprar um carro novo, seja para fazer obras no seu Estado, só é possível de ser feito e só pode ser feito, com a estrutura bancária mundial burguesa e que é protegida pelo centro do capitalismo.
É como se eles controlassem uma ponte e você se quiser passar, inevitavelmente vai ter que usar a ponte deles.
Por isso existe erroneamente a ideia de que se a gente destruísse todos os monopólios burgueses, seria impossível da sociedade funcionar, essa ideologia tem como base a verdade de que os monopólios controlam tudo e mandam e desmandam nas coisas. Só que isso mudaria de caráter, e aqui a gente lê a teoria marxista de Estado, se a gente tomasse as rédeas desse monopólio e usasse desse poder para o proletariado. Essa é a função do estado socialista.
Tem uma função inclusive geopolítica, não tem como você combater outros estados nacionais bem organizados sem uma organização tão ampla ou mais, quanto. Se você for pensar em uma guerra, existe uma diferença radical entre um exército treinado organizado e uma força militar desorganizada. Pode até ser que o exército organizado seja menor, mas ele tem uma capacidade infinitamente maior de causar estrago pelo simples fato de estar organizado. Com o tipo de guerra que nós temos hoje, não é necessário usar tantos homens, é uma questão mais de saber jogar o jogo da inteligência e saber exatamente onde acertar.
O problema da cooptação ideológica tem uma base material muito clara. Você só vai longe na sociedade, ou seja, se você quer fazer coisas, você vai ter que lidar com o poder político que controla tudo. Se um produtor como Jpegmafia ou mesmo Kanye, querem realmente serem grandes e ir longe, é preciso beijar algum anel com um sol negro.
O que faria isso ser diferente ? Nós termos uma estrutura e organização nossas que possam bater de frente com as estruturas do capital. A questão é que o seu artista preferido virar um facho, ou liberal (mesma coisa btw), é uma questão de monopólio da mídia. Não importa muito se ele já acreditava no que dizia ou não, mas falando principalmente de um espaço, que tem uma função doutrinadora, ideológica, faz sentido que ele comece defendendo determinadas posições, de emular uma personagem, para simplesmente ganhar algum espaço no sol.
Não se surpreenda com o dia que Don L virar reaça.