31 dezembro 2023

Lula neoliberal e a esquerda : ou sobre o debate público como alienante


Recentemente, num podcast aí, Jones Manoel disse que Lula é neoliberal. Isso causou um debate no pior site do mundo (twitter, que parece ser o único lugar que o petismo sabe ocupar) sobre a veracidade dessa afirmação.

É foda porque é um debate que começa viciado. Para uma ciência política liberal conservadora, do qual muita gente que se diz de esquerda adota no Brasil, o governo Lula/petista de uma forma geral, seria de esquerda só pelo fato de interferir na economia.

Ou seja, não importa que a política econômica seja a favor da financeirização e de uma lógica agro exportadora na economia, só o fato de ter a política já é algo a ser chamado de progressista nesse vocabulário político. E isso tem muitos problemas.

Apaga o fato de que os governos conservadores também fazem políticas públicas. Em uma perspectiva mais crítica, fazer política pública ou não, não é critério para determinar uma posição política, mas sim o caráter dessa medida política (que sempre vai existir).

Quem beneficia certas políticas, é isso que a gente precisa responder, isso seria o que eu chamei de caráter. Não importa sequer o nome do que a gente chama, o mais importante é compreender isso, o que cada política faz.

Isso não entra nem em questão de quem critica o Jones e o foco da crítica nem fica sendo tanto o governo Lula, mas quem falou que o governo é neoliberal.

Quando Jones aponta “Lula é neoliberal”, ele não está tentando falar da subjetividade, do íntimo, ou sei lá do que o pessoal acredita que o Lula seja; Ele está apontando que uma série de políticas públicas, ou seja, o conjunto da obra, de uma forma ele está tentando pedir que a gente faça uma reflexão sobre a governança de uma maneira geral, reproduz a política neoliberal, essa mesma política que a gente diz que é “progressista”.


É isso que está em jogo. Mas como sempre, caímos no limite do nosso debate público.


Aqui a gente acaba vendo o quanto o debate público, ao invés de servir para criar uma consciência popular, ele acaba sendo uma ferramenta de alienação. O debate em si é mero espetáculo, não tem uma consequência. Tanto por ter esse elemento alienante, como que politicamente tanto faz se existe uma boa crítica.

Nem o governo Lula vai mudar com essa crítica, nem a esquerda radical vai conseguir se mobilizar para pressionar se o governo não mudar. Enquanto por outro lado, a direita tem um lugar dentro da política econômica, ela pauta debates, ela pressiona, ela negocia e o governo cede, mesmo quando avança, faz sempre no limite da direita.

Por exemplo, Jones aponta que a criação do teto de gastos, ministro Haddad, lembrando que é considerado braço direito de Lula (era o chamado de fantoche de Lula em 2018), sentou com uma série de banqueiros para pensar essa política pública. Não falou com os movimentos sociais, nem mesmo os ligados com o PT, como a CUT, a fundação Perseu Abramo, MST, etc.

E se a gente olhar para o teto e quem ele beneficia, ele existe para diminuir as políticas públicas do Estado em favor de privatização, honrar uma dívida pública baseada em grande parte em juros e especulação financeira. Gente do céu, quem isso beneficia ? As elites financeiras.

Isso que eu acabei de descrever pouco importa para os tarados da semântica. O problema é a noção burra de que qualquer política pública é de esquerda, o outro problema é desviar o debate para uma discussão semântica e para, sei lá, querer apontar um erro na figura do Jones (e assim, ele não é ninguém perfeito, mas é incrível quanto nos comentários aos vídeos, mesmo em respostas como à críticas, como é o caso de Christian Dunker, pessoal precisa falar alguma questão pessoal do rapaz - Dunker mesmo, fez uma live quase chorando e precisou ficar falando da expulsão do PCB do Jones).

O grande elefante na sala é a nossa dificuldade de criar poder popular e o papel que o próprio PT tem em adestrar essa necessidade. Por um lado, é uma falha nossa, ter uma dificuldade de construir poder popular - por outro, a gente não pode deixar de lembrar que o PT virou o nosso horizonte de luta.

No sentido de que o máximo da nossa imaginação é limitada no que a política institucional petista delimitou. É querer uma política contra a fome, mas que não taxa, por exemplo, grandes proprietários de terras que especulam em cima da comida.

Não só não se resolvem os problemas, como uma política paliativa (que resolve parte do problema, está no caminho da solução, mas não o resolve por definitivo) é tratada como um horizonte definitivo.

A nossa dificuldade é não conseguir fazer política fora dessa formalidade política que se estabeleceu nos governos petistas. A própria forma de hoje o militante médio, mesmo o mais radical, de enxergar política é dentro, falando num termo meio velho, de uma caretice - de uma certa chatice, que é típica de uma militância liberal petista.

Infelizmente, até num aspecto estético, a nossa forma de agir, de homenagear os nossos, de discutir algumas questões, é muito parecida com o que a Globo faz, mesmo no programa reacionário do Luciano Huck.

Quem escapa dessa formalidade (me perdoe por não querer detalhar muito sobre isso, eu vou pedir para você assistir Luciano Huck e qualquer palestra, qualquer atividade de militância, e veja as semelhanças estéticas), geralmente é muito criticado e mal visto.

Há uma certa falta de ter um jeito nosso de fazer as coisas, nós ainda imitamos muito o que as propagandas de banco fazem, num sentido linguístico, de discurso, é a promessa de um futuro, um estilo de falar de algo esquecido ou inédito.

Por isso, a gente fica nesse tipo de marasmo infinito : toda semana tem uma coisa muito importante para discutir que na semana seguinte absolutamente todo mundo vai esquecer.

É para perguntar : fazer as coisas do jeito que a gente sempre fez, realmente tá dando algum resultado ?


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30 dezembro 2023

O Operário (2005)

Operário é um filme de 2005 estrelado por Christian Bale, o mesmo ator de filmes como Psicopata Americano (2000) e Batman (2008), que segue a vida de um operário de uma fábrica com graves problemas de insônia. Acredito que na época o filme possa ter sido visto, com muita facilidade, como mais um de vários filmes que exploram a mente humana, como Réquiem para um sonho (2000) e de longe o mais parecido com ele, Clube da Luta (1999).

Spoiler, obviamente.

Bem, na minha opinião, dadas as mudanças no mundo do trabalho e na composição da sociedade de uma maneira geral, deveríamos ter visto esses filmes mais como alertas, como sintomas do que vivenciariamos alguns anos mais tarde. Jornadas de trabalho extensivas, menos direitos trabalhistas, menos acesso ao sistema de saúde e apesar do crescimento da internet, mais solitários e depressivos. Olhando em retrospectiva, nós mal imaginávamos que o mundo poderia piorar com todas as novas possibilidades que as tecnologias nos traziam. Acreditamos, por um bom tempo, que o século XXI seria diferente do mortal século XX e do século XIX.

Será que finalmente, todo aquele sangue, todas aquelas vidas, destruídas por causa do progresso, finalmente seriam capazes de transformar o mundo em uma utopia ?

Podemos abordar esse filme por duas vias principais : a subjetivista e a materialista. Na primeira interpretação, eu diria que é a mais esperada. O filme é do gênero suspense e seu foco principal é a vida do operário Reznik. Nós o acompanhamos pela manhã, enquanto lava o rosto e por algum motivo, lava as mãos com desinfetante. Observamos suas anotações do que fazer, como se ele estivesse tendo problemas graves de memória.

Quando ele chega no seu trabalho, uma fábrica que nunca ficamos sabendo que fabrica, vemos uma grande sala de máquinas cheia de trabalhadores que nunca conversam entre si e um supervisor chato tentando explorar eles o máximo possível. Depois do trabalho ele vai para um aeroporto, conversa com uma garçonete e come torta com café.

Com certeza, há muitos elementos dentro da narrativa que podem ser explorados à exaustão comentando sobre a psique do nosso personagem. Todavia, deixo essa tarefa para os estudantes de psicologia. Não acredito que vamos ir muito longe comentando a mente de Reznik. O próprio filme faz um trabalho excelente em oferecer um quebra cabeça que foge dos reinos de subjetividade da psicologia.

Por isso prefiro muito mais que prestemos atenção nos elementos materiais da história. Não necessariamente no Reznik, mas no mundo que ele vive. Isso é uma tarefa muito mais complicada do que parece.

Nós enxergamos o mundo nos olhos de Reznik, um homem doente que não dorme há mais de um ano. Então, há uma grande dificuldade tanto nossa, quanto do próprio personagem para compreender o que acontece à sua volta.

Isso não é algo gratuito. Na verdade, emula muito bem a percepção que nós temos sobre o mundo em nosso dia a dia. Nós também pegamos rotinas de trabalho maçantes, nos tornamos viciados em medicamentos, nós comemos mal e desenvolvemos hábitos nada saudáveis. Muitas vezes sem nos darmos conta, aos poucos estamos enlouquecendo.

Esse adoecimento lento, rasteiro, que aos poucos vai tomando nosso corpo, aparece nas mãos dos neurologistas e psicólogos como mera “doença”. Alguns chegam a especular sobre questões genéticas, quando não falam em “problemas de raça” e de “gênero”.

O átomo social homem, é o único capaz de causar problemas a si mesmo : essa é a lógica por trás desse tipo de pensamento. Mas não é preciso muito para dizer que não existem homens sem a sociedade, sem o tempo em que vivem e o local de onde eles vêm. Nós somos produtos e produtores do mundo em que vivemos.

Que mundo ele pode produzir ? A questão é que escolha ele teve durante toda sua vida ? Ele trabalha numa fábrica e durante toda história nunca fica claro o que está sendo produzido. Não sabemos muito do seu passado, como por exemplo, ele se tornou um operário, só que ele é um. Vemos máquinas e mais máquinas, soldas sendo feitas para todo canto, e quando vemos a fábrica do lado de fora um grande galpão (não dá pra saber o que está sendo feito).

O que é feito na fábrica ? Eis, um detalhe nunca explicado e que pode explicar seu adoecimento. Não só ninguém usa devidos equipamentos de segurança, mas parece que o sindicato tem pouca força dentro da fábrica. O único que cita o sindicato é o próprio Reznik. Os outros trabalhadores não pareciam estar tão interessados, ou tão organizados, para se meter em assuntos do trabalho. Muitos só querem abaixar a cabeça e trabalhar.

Logo no início do filme, um de seus colegas estava consertando uma máquina com defeito e seu supervisor queria descontar as horas que a máquina estava parada do salário dele. Reznik interviu e disse que era ilegal, já que quebrava o acordo da empresa feita com o sindicato. Mais tarde, quando seu chefe o chama na sua sala, Reznik afirma que só poderia estar na sala com o representante do sindicato, coisa que seu chefe ignorou e o fez realizar um teste de urina. Não ficou claro se o teste era para saber se ele estava drogado (como sugeriu o supervisor na sala), ou se era uma tentativa de dispensar ele por estar doente.

As empresas, não raro, querem demitir funcionários mais experientes para não terem que gastar com salários mais altos e mais tarde pagar uma aposentadoria mais gorda. Para isso, elas criam mecanismos, ainda dentro da lei, para tornar o ambiente de trabalho algo insuportável.

Supervisores criam metas enormes com a intenção de aumentar a produção, mas também de criar uma tensão na empresa. Criam rankings de performance para criar competições entre os trabalhadores. E não sejamos inocentes em acreditar que um trabalhador sindicalizado não sofre as consequências por estar organizado no sindicato.

São elementos dentro da história que nunca ficam de fato bem explicados. Nós passamos mais tempo observando as consequências, do que as causas do adoecimento dele durante a história. Por exemplo, será que ele lavava suas mãos com desinfetante por conta de algum material que manuseia durante o trabalho ?

Para um filme de 2005, mostrar uma fábrica é algo alienígena. Estamos falando aqui de pelo menos de 40 anos de desindustrialização mundial. Fábricas como aquela, com operários, são raras. Hoje (e em 2005) as fábricas estão quase vazias e quase que totalmente automatizadas. Para alguém que vive no Brasil no ano de 2022, uma fábrica daquela, sindicato, direitos trabalhistas, soam como uma lenda do passado.

É preciso notar que ainda sim, havia um sucateamento. Podemos notar que dentro da fábrica havia poucos trabalhadores com equipamentos de segurança. Tanto que durante o filme, um colega de Reznik perde o braço porque uma máquina não tem uma trava de segurança – o próprio Reznik quase perde o braço depois em outro acidente

O que o trabalho alienado pode fazer conosco ? Ele nos atomiza. Da mesma forma que Reznik na fábrica não falava com ninguém, fora dela as únicas pessoas que ele conversava eram mulheres que estavam trabalhando. A garçonete era sua companhia enquanto tomava café e uma prostituta o satisfazia enquanto tentava dormir.

Esse é um quadro da vida na cidade muito difícil de ignorar enquanto vemos o filme. Na minha opinião, eu entendo o vício quase que da época em focar exclusivamente em um personagem principal e ir trabalhando as questões como mera psicologia. Mas aqui ser posto no ponto de vista do operário faz algo além : nos mostra a dificuldade que é enxergar algum horizonte, algum futuro na vida e o quanto faz falta as pessoas “do lado de fora” da gente.

Nós somos forçados diante de uma questão impossível de se responder - será que o problema é comigo ou é com o mundo lá fora ? Mesmo que eu te dê todos os spoiler do mundo, é uma coisa que você não vai conseguir responder. Reznik, assim como eu, como você, é um ser humano cheio de defeitos. Só que a gente sabe bem que o mundo que a gente vive também não é flor que se cheire.

Como que a gente resolve isso ? Essa resposta o filme não se propõe a oferecer.

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27 dezembro 2023

Lula 3 : A ameaça fantasma

Certo tempo atrás, escrevi sobre a possibilidade desse governo Lula, que dá uma continuidade à Bolsonaro em vários aspectos, fomentar não só o fascismo atual, como criar novos fascistas, desvinculados mesmo de Bolsonaro ou MBL.

O principal motivo é a compreensão que as políticas neoliberais, a forma de vida que ela fomenta, reaviva o movimento fascista. Podemos usar a tese de Berardi, como a de Ghiraldelli que deve bastante de sua análise à Han, para dizer que a formação dessa subjetividade individualista, alucinada, carente do afeto corporal, é o que possibilitou essa constelação maldita que levou Bolsonaro ao poder.

Chegou 2021, Lula elegível e a luta fomentada por dois anos de Bolsonaro chegou num pico graças à pandemia (ou na pandemia como um empurrão para a revolta popular estourar). Ghiraldelli participando dessas manifestações afirma que "novamente a revolução do indivíduo se repete". De fato, as manifestações pelo impeachment de Bolsonaro repetiram aquela efervescência de 2013.

Muitos marxistas olham para 2013 como uma oportunidade perdida de organizar as massas, Ghiraldelli olha como uma expressão da necessidade de se criar uma democracia participativa aos prazeres de Dewey/Rousseau. Independente do que eles compreendem sobre 2013, fato é que Lula/PT de 2013 e o de agora desse 2021 pandêmico, foram o principal remédio contra essa revolta popular.

A violência policial, a perseguição jurídica dos que se manifestaram, não foi o que fez as manifestações pararem em 2021 - em grande parte, foi o pedido implícito de Lula querer tirar Bolsonaro da presidência em uma eleição. As manifestações duraram meses e a sensação de cansaço era evidente.

Ninguém aguentava mais Bolsonaro, mas também já estava cansado de lutar - a pandemia mudou todo mundo. 2013 foi marcado pelo PT preferindo se aliar à direita do que ouvir o que a população tinha a dizer.

Apesar do PT trabalhar junto de movimentos sociais, é ele também o responsável por limitar a atividade política desses movimentos. Por que os comunistas não conseguiram usar 2013 ? Ou melhor, o que levaria a gente dizer que não houve uma "revolução do indivíduo" ?

É um erro muito grande acreditar que uma resposta desorganizada vai conseguir combater um sistema altamente organizado. Pior é o erro de acreditar que existe um sujeito político que é livre de associações, organizações políticas, vícios ideológicos.

A anti-política, ou melhor dizendo, essa noção que você magicamente vai fazer uma superação da política atual sem ter uma ideia do que fazer...é insuficiente. Não existe vazio no poder, o que houve com 2013 foi simplesmente uma cooptação, por mais de esquerda que tenha sido a natureza dos protestos.

Faltou uma direção, não no sentido de que as pessoas ali eram burras, ou que a consciência popular não sabia o que queria : faltou um programa político popular, nós não queríamos a social democracia rebaixada, mas não temos o que por no lugar.

É preciso entender que não basta ter boas palavras de ordem, é preciso saber o como fazer, o que fazer e porque fazer. Muito do que acontece do PT no poder atuar de forma neoliberal, é exatamente porque não se tem essas noções, e a esquerda radical muitas vezes também sofre disso.

Indo direto ao ponto, os comunistas não organizaram/não criaram 2013, porque não tinha nenhum comunista ou partido comunista para fazer isso. Isso não é desmerecer a esquerda radical, o contrário é lembrando de sua história que digo isso.

Só a título de lembrança, devemos lembrar que a ditadura militar teve como objetivo central a perseguição e a morte dos comunistas. E a "transição democrática" teve como marca a qualificação do PT, nas suas perspectivas social-democráticas reformistas, como sendo o limite do que a esquerda poderia fazer - "mudar o sistema por de dentro".

Por mais que muitos dos viéses de uma CUT, MST, MTST e etc, passem por algum cunho radical, alguns podem até dizer que esses movimentos sociais são radicais, o limite deles reside na execução de políticas públicas, no cumprimento da constituição federal. MTST depende, por exemplo, que a lei em relação ao uso social de imóveis seja cumprida - e se ela não for, o que acontece ? Qual a força política que o MTST tem para lidar com as leis do Estado burguês ?

Se o governo decidir que essa lei não serve mais, qual seria a resposta dessa esquerda ? Nota de repúdio ? Votar contra na Câmara ? Os governadores (que tem maior parte do controle da polícia) petistas ou aliados vão fazer algo contra essas ordens de despejo ?

A gente sabe que nada disso vai ser feito e ações para simular que houve uma tentativa de ser contra vão ser o foco. "Veja, votamos não, fizemos nota de repúdio" - e isso passa, deixa de ser assunto e a gente se acostuma.

A política passa a ser exclusivamente institucional, legal e transparente. Isso é tão difundido que há na academia uma certa ignorância da relação tão conjunta da atividade política e da atividade militar, como da atividade de espionagem.

O desafio da esquerda radical é construir uma organização política poderosa o suficiente para conseguir combater sistemas de inteligência, táticas militares e ações políticas institucionais.

Precisamos de uma vez, deixar de sermos reducionistas, idealistas e defensores de uma democracia abstrata que só existe num mundo perfeito. Como a classe trabalhadora brasileira, apesar de ser lutadora e de se mobilizar politicamente, por que ela não vê nos comunistas uma alternativa ?


A resposta é dura : porque a gente não oferece uma alternativa. E aqui eu nem estou falando da revolução, isso todo mundo compreende que não vai acontecer para amanhã, mesmo que a gente estivesse bem organizado hoje (o que não é o caso). Mas fato é, o que o exército, a igreja evangélica cassino, o crime sendo organizado ou não, o empreendedorismo, a uberização (essa economia de apps), o vício em drogas e o suicídio, com o sucateamento do serviço público e da carteira assinada, oferecem uma alternativa hoje para lidar com os problemas da classe trabalhadora.

Não resolvem o problema, mas é uma alternativa, é algum caminho a seguir, mesmo que seja literalmente o abismo. E como sair do abismo ? Essa é a questão.

Uma autocrítica importante é compreender que apesar do que foi feito nesses mais de 40 anos de "democracia", os nossos esforços não foram suficientes para que a gente conquistasse um espaço mais amplo na cena política.

O correto é olhar o que nos fez avançar na nossa luta e compreender porque deu certo, sem deixar de olhar o que não funcionou e porque não funcionou. O nosso socialismo é científico, assim deve ser a nossa abordagem.

Aqui falo muito na minha experiência social em geral : tá uma merda as coisas, mas ninguém tem uma noção mínima do que fazer para mudar. Não tem uma colaboração, as relações de cooperação quase não existem e eu aqui parafraseio Jorge Amado - é um milagre a gente estar vivo.

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23 dezembro 2023

O que esperar de 2024 ?

Cuidado, eu costumo acertar.

Ano que vem é ano de eleição e o governo federal, como sr. Jones vem falando faz séculos, o teto de gastos estará vigente. Nos bastidores da política está bem claro que Lira e o Congresso Nacional querem forçar um orçamento maior do que o governo está disposto a cumprir, já que o governo quando propôs o teto colocou um dispositivo jurídico para responsabilizar o presidente do furo no teto.


2023 ficou bem claro que Bolsonaro e a extrema-direita de uma forma geral, continuam firmes e fortes, enquanto a esquerda apesar de ter crescido alguma coisa, não conseguem pautar debate, não consegue ocupar muitos espaços e ainda tem muita dificuldade de fazer política.

Então, eu sinceramente, não espero uma vitória muito grande nas eleições municipais. Como não espero que o governo consiga lidar com essa pressão do congresso em relação ao orçamento : é muito óbvio que querem gastar, visto a eleição municipal (e claro, para ferrar o presidente).

Política de uma maneira geral e eu falo como uma estudante de ciências sociais, não parece algo muito positivo. Ou seja, eu não acho que vai dar algum resultado para quem for se dedicar para isso (isto é, nós meros mortais).

O grande problema das eleições é que os partidos tentam fazer um trabalho que deveriam fazer por décadas em 2, 3 meses de campanha e o povo percebe isso. Fulano ir à favela fazer discurso é muito lindo, problema que fulano nunca tá na favela quando não tem eleição.

Eu penso assim, considerando a economia merda, a política merda, etc, etc, acho que a gente tem uma dificuldade muito grande de construir qualquer coisa coletiva.

É esse horizonte que faz falta.

Por isso, eu vejo, pelo menos no meu círculo pessoal/internet, que a arte é a única coisa que faz ainda algum sentido. É ela que transmite a mensagem da melhor forma, é ela que atrai gente para falar com a gente.










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21 dezembro 2023

DOC 006 : Notas sobre o Instagram

Isso serve apenas como uma pequena nota sobre o meu uso do Instagram. Eu acho que eu nunca usei muito Instagram, mesmo na minha fase mais jovem, que eu era cronicamente online, sempre achei uma rede meio sei lá.

Esses últimos meses, eu resolvi usar porque todo mundo usa. Mesmo motivo de eu ter Whatsapp, é porque as pessoas se comunicam por lá e tal, não é melhor lugar para isso e nem tem o melhor serviço, mas todo mundo usa.

A única grande diferença, mesma coisa vale para o Tiktok e para o Kwai, é a regionalidade do conteúdo. Enquanto no YouTube e Facebook, você fica meio aberto, recebe o que é mais destacado de uma maneira geral dentro de um nicho - Insta, Tiktok e Kwai, mostram muitos criadores locais e tal.

Eu tendo a crer, e isso fica muito claro como usuária e como “criadora”, que não existe uma receita de bolo, muito menos uma estratégia específica que funcione para todo mundo.

Sei lá, tem gente que tem muitos seguidores aqui onde eu moro, mas não tem no sudeste. Então, eu acho que isso precisa ser considerado dentro de uma estratégia de comunicação. A gente, por estar online, acha que não ter um lugar é a melhor fórmula. Mas se o Tiktok, Kwai e o Instagram, se focam tanto em regionalizar o algoritmo, será que realmente, ter uma persona tão aberta, tão eterea e sem lugar, é tão bom assim ?

Por exemplo, tem gente que te fala para fazer umas postagens em determinado horário e tal, com X estética, etc, etc - só que não tem uma abordagem científica, com informações e etc. Então, sei lá, vira achismo.

Eu não julgo sabe, as plataformas mantém o algoritmo em segredo, então né. Uma outra hipótese para geolocalização contar tanto é o uso do celular, as pessoas usam muito mais o celular do que o PC para acessar essas plataformas.

Não quero me estender muito, mas é interessante observar essa regionalização. Há essa noção geral que o conteúdo direcionado, ou seja, quanto mais específico você for, mais chance de você dar certo.

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Depressão pós-eleição : Será que Lula vai nos salvar ?


21 set 2022 (eu escrevi esse texto depois do primeiro turno de 2022)

Por fim, livres de Bolsonaro. Ao que tudo indica, Lula tem tudo para vencer, tanto em um primeiro turno como num possível segundo turno. O resultado dificilmente vai ser diferente do que indica as estatísticas.

Tanto ânimo, tanto entusiasmo, tanta felicidade com a festa da democracia para depois mais 2 anos hibernando para as eleições municipais. É muito comum se discutir política intensamente durante as eleições e depois que tudo passa, se esquece de tudo e se pratica política sem nenhuma discussão.

Não é como se essa discussão política feita nas eleições também seja qualificada, porque de fato, ela está bem longe disso. Nós sempre voltamos a hercúleas discussões sobre comunismo de Stalin e se esse Stalin realmente matou tanta gente assim, discutimos se devemos ter serviço público ou se queremos matar todos os pobres de uma vez. Coisas que em nenhum momento importam, ou que enriquecem as discussões sobre a nossa realidade.

O que ainda mantém alguma sanidade legal no Brasil é o trabalho de alguns funcionários do Estado (aqueles que são concursados) que aqui e ali, conseguem garantir um bom serviço público. São médicos, juízes, administradores e cia, que fazem um trabalho seguindo a velha constituição que garantem que medidas, muitas vezes ilegais, evitem de serem aplicadas.

Mas nada impede, de repente, mesmo isso desaparecer (até porque os concursos desapareceram) para o Brasil de vez se derrubar no seu próprio peso. Com alguma ordem institucional, vemos o Supremo Tribunal defendendo empresas de plano de saúde derrubando o piso da enfermagem, a polícia que cada vez mais mata os negros pobres, a comunidade trans cada vez mais excluída de seus direitos quando se trata de acesso à saúde, sem contar as inúmeras atrocidades diárias que nunca aparecem em canto algum.

Há esperança, diz Lula. Com seu governo o povo vai poder sorrir novamente e consumir. Será ? E será que vai importar alguma coisa ?

Há setores da esquerda que apoiam Lula sem olhar o Lula de hoje,  que é neoliberal, e apoiam o Lula como se ele fosse o velho operário sindicalista dos anos 80. De certa maneira, há um exagero nesse apoio, mas é compreensível.

O governo Bolsonaro foi muito ruim. Destruiu vidas, tirou outras tantas. Há uma vontade tremenda de tirar Bolsonaro e essa vontade persistiu durante todo seu governo. Manifestações Fora Bolsonaro e pedidos de impeachments não faltaram para que ele saísse. Todas elas, frustradas e a via eleitoral se tornou a única saída para esse inferno.

O desespero de viver no governo Bolsonaro, de certa forma, faz com que as pessoas não liguem tanto para quem ganhe, desde que não seja nenhum tipo de Bolsonaro. Lula ganha destaque por representar um Brasil, onde de fato, as pessoas cresceram economicamente e as condições de vida melhoraram.

O que de fato, lhe dá um cheque em branco para fazer alianças e continuar defendendo políticas neoliberais sem sofrer nenhuma crítica.

Lembro de uma vez, ver um filósofo (que não vou citar o nome) chorar por Lula e o PT não articularem o impeachment durante a Covid, para vê-lo abandonar todo papel crítico para apoiar Lula de maneira incondicional. Para ver, esse mesmo cara que acusava os outros de eleitoralistas, talvez com gosto amargo na garganta, fazer a mesma coisa de maneira acrítica.

Esse é o poder de Lula pós-covid. O que podemos esperar é que o governo Lula pelo menos governe e nada mais, mais do que isso é sonho. Se ele fizer e de fato, ajudar a população mais pobre, pouco vai importar se Lula é amigo de Alckmin.

Claro que isso não vai levar ninguém para uma mudança social radical. Vamos continuar miseráveis, com Lula, talvez vivendo um pouco melhor.

Mas nada disso é suficiente.

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18 dezembro 2023

O que é amar sem ter um coração ?

7 jun 2021

Às vezes eu me sinto como uma criatura inferior às demais. Em especial, às criaturas mais velhas do que eu. Não é querer defender uma nostalgia com o mundo velho ou de querer dizer que os meus antepassados eram melhores. Ou de querer dizer que o passado era melhor que o presente.

É mais uma constatação de que talvez entre a época da carroça e do smartphone algo se perdeu no caminho. Como se tivéssemos perdido uma parte essencial do nosso corpo, da mesma maneira que perdemos nossas caudas.

Quando eu estava ouvindo "TTFN K ?", senti uma sensação estranha. Uma espécie de mistura de saudade de alguém, de um amor, de uma amizade, de alguém distante. A música é um cover de uma música chamada We'll meet again de Benny Goodman and Peggy Lee dos anos 50 no pós guerra. A interpretação mais óbvia é a de que é uma música sobre um casal que se separou por causa da guerra. O marido ou namorado, teve que ir pro front e a música trata dessa esperança de que ele talvez volte. Nós não sabemos se volta ou não, mas a música segue, como uma celebração da esperança.

O contexto do cover é completamente diferente. O álbum Virtual Utopia Experience do grupo Death 's Dynamic Shroud foi lançado alguns anos atrás, 2013, 2014 por aí. O mundo globalizado é o nosso mundo da rede, das grandes plataformas, do capitalismo financeiro. Nos anos 50 nós ainda éramos fordistas e o sonho do American Way of life estava à todo vapor. Nessa época até o Brasil foi o país do futuro.

O casal dos anos 50 talvez tenha namorado escondido, era uma sociedade ainda muito conservadora. Um mundo muito rígido, reacionário, ainda com os resquícios do velho mundo. Ainda assim, os jovens namoravam, pulavam os muros da escola (naquela época digna da crítica do Roger Waters) para ir ao cinema trocar beijos e carícias.

Enquanto os casais de hoje podem nunca ter se tocado. Os nomes falsos, os elogios, os "beijos" expressos pelos emoticon, os rostos editados pelas ferramentas de edição, as palavras escritas pelos aplicativos de conversa - uma espécie de amor que nunca pode ser sentido. Diferente dos anos 50, temos toda a liberdade do mundo, mas ninguém sai para namorar.

Querer se reencontrar com alguém se torna algo meio estranho hoje em dia. As pessoas se veem o tempo todo por conta da conexão pela internet. Não há saudade. Sem contar os casos onde nunca houve um encontro para começo de história. Como vamos sentir saudades de alguém que nunca conhecemos ?

O pitch ligeiramente desafinado, a voz distante, os pássaros inseridos digitalmente, somado ao contexto histórico atual, dão a sensação de saudade do amor. Como se algum dia nós tenhamos amado alguém, e precisássemos desse amor agora nesse momento difícil vivendo sozinhos. A questão é que nunca houve amor e sempre houve a solidão. Não há memórias a serem lembradas.

O álbum em si é uma crítica ao vaporwave. Esse estilo musical trabalha com remixes de sons de outras épocas, desde músicas até jingles comerciais. Alguns chegam a afirmar que é uma crítica à sociedade neoliberal dos anos 80. Porém, o que muita gente esquece é que nunca saímos desse mundo neoliberal dos anos 80 !! Até ontem, Trump era a grande estrela do momento, como nos anos 80 !!

O vaporwave começou como shitpost, como uma sátira e logo foi incorporada à indústria musical. Se tornou pasteurizada, sem sentido. Aí que entra cena o Virtual Utopia Experience - como uma crítica à crítica, mas também só como música e nada mais.

Ao invés de usar apenas samples de outros sons, também se usou instrumentos musicais reais. Ao invés de pretender estar fazendo uma critica social foda, simplesmente se fez música. Não é um álbum pretensioso que busca ser comercial, ou que pretende mudar o mundo, ou algo do gênero. O mais interessante dele como um todo, é de um lado ser música por música, do outro, a crítica da crítica como uma defesa da experiência de ouvir música.

"Vou te ver novamente" talvez não tenha nenhum significado. Principalmente, para a nossa geração. Nós nunca amamos ninguém para sentir saudades. Mas em algum momento, nós sentimos alguma coisa e talvez seja disso que nós tenhamos saudade.

No meio do caminho, todos nós deixamos de ser humanos.

Se ouve música hoje em dia sempre com uma tarefa a ser feita. Se esperando algum resultado. Há playlists para tudo - do trabalho ao sexo, ou melhor, só do trabalho. O biocapitalismo tornou todos nós trabalhadores 24 horas nas plataformas. Se descansa com o propósito de repor energias para o trabalho, durante o descanso se joga videojogos, se escuta música em uma plataforma, se grava as informações do sono para avaliar se dormiu bem ou não.

Em certo momento, o vaporwave passou a fazer parte da alienação, ao invés de uma crítica irônica. Assim como o rock deixou de ser rebelde para ser reacionário. Uma hipótese é de que ao nos tornarmos CEOs de nossas empresas, nos tornamos pessoas que querem resultados, que buscamos o EV (effective value) de tudo que fazemos e temos uma tara gigantesca por estatísticas.

Não gostamos mais do Iggy Pop por falar que quer comer uma menina, nós queremos o nazismo do Nando Moura que vende mais.Não importa se o solo do James Williamson é selvagem, mas que o Dave Mustaine possui mais técnica na guitarra. O vaporwave por muitas vezes, é uma música para quem não tá nem aí para a música, mas quer um fundo ou quer parecer alguém legal. Nos escritórios das maiores empresas do mundo, não tenha dúvida que as pessoas escutem Macintosh Plus ou Blank Banshee. A própria música passa a ocupar a função de alienar - A música clássica passou por um tempo sendo o símbolo da exclusão e de status social. O filisteu não ligava para Bach, mas ouvia Bach para ser culto diante das pessoas.

Virtual Utopia Experience sabe que não vai mudar isso. Sabe que no final do dia, nós continuamos presos às máquinas. Não vamos tão cedo destruir esse capitalismo ou resolver os problemas do mundo. Mas sempre tivemos esse problema, esse horizonte raso que o mundo capitalista nos oferece. Ainda sim, dentro do próprio capitalismo nós criamos lugares onde não há capitalismo, sem o neoliberalismo, sem as perseguições, os medos de miséria. As heterotopias, nossas pequenas utopias em pequenas esferas de convivência. O lugar onde podemos imaginar um outro mundo, um não-lugar melhor para todos.

A internet é esse lugar que um dia foi isso. Um dia ela foi livre e servia apenas como ferramenta de comunicação. Conseguimos conversar com pessoas de outros lugares do mundo, aprender coisas novas, conseguir filmes, livros, músicas de todo tipo. Hoje a internet pertence ao grande império da capital, ela é monopólio do Google, Amazon, Microsoft e Facebook. Nós devemos a nossa vida para essas plataformas, somos escravos delas.

Sentar, ouvir um álbum que preza pela experiência de ouvir música, sem aquela exigência de ouvir algo produtivo ou de ficar dando feedbacks dentro de uma plataforma. Talvez seja isso que nós tenhamos como utopia virtual. Como um não-lugar dentro do não-lugar.

Nós jovens eternos do mundo, tentamos explicar porque não sabemos nosso gênero, ou porque somos ansiosos, tristes demais, ou porque precisamos viver chapados o tempo todo para funcionar, com teorias psicológicas das mais diversas. Mas é necessário lembrar que para haver psicologia, é preciso haver subjetividade, é preciso ser gente, é preciso ter corpo. Nós todos somos entidades biomecânicas sintéticas sem coração, não somos pessoas como as pessoas algum dia foram. Não apreciamos arte, não fazemos sexo, não sentimos prazer, não gostamos de música improdutiva, não conseguimos ler histórias, não gostamos de viver. Nenhum de nós nasceu de uma vagina, somos todos feitos em fábricas.

Eu ainda fui alguém que cresceu sujando o pé de lama e sentindo o corpo dos rapazes quando jogava bola. Sou de uma geração de transição, alguém viveu parte da vida fora da internet e sabe que lá fora existe um mundo diferente deste. Ainda sou capaz de chorar ouvindo uma música, pois a música sempre foi tudo o que eu tive comigo. Meus pais se adaptaram bem ao século XXI, me deram videogames, computadores, mesadas, cursos profissionalizantes. De certa maneira, sempre fui viva demais para o meu tempo. Sempre quis fazer mil coisas, porém, ninguém queria fazer comigo, pois todos já haviam desistido de viver. Acabei por me tornar uma espécie de híbrida, parte de mim sabe que é gente, outra parte sabe que é máquina. Isso me tornou uma criatura estranha que sabe muita coisa mas nunca teve muita experiência com nada. Eu sei algumas coisas, vivi outras, mas no final do dia, eu ainda sou menos gente tanto quanto essa nova geração.

Mas eu sei que para ser gente, eu preciso ser artista, amar a poesia, amar os corpos dos homens e das mulheres, sonhar com outras possibilidades de mundo para viver.

As próximas gerações talvez nunca saibam o que é ser humano. O niilismo vai chegar a tanto, que não saberemos mais quem é feito de carbono e fibra de carbono. Blade Runner se institui.




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17 dezembro 2023

report 018 - Patch massivo !

Mudança de fundo : Mudei para algo mais eletrônico dentro das cores que eu queria trabalhar, que é um roxo e um azul.

Mudança de fonte : Agora eu uso courier new em todo canto, porque eu achei que fica melhor para ler.


Mudança de cabeçalho : Agora tá mais claro o que cada link faz e a animação em cima tá mais interessante.


Mudança na página hub : Novamente usando courier new e uma nova animação, que acredito que deixa mais claro onde ir no texto. Pus um destaque em roxo nos títulos dos links.


Com isso vem também, um pouco de mudança de conteúdo, mais foco em arte e etc, do que na política em si (mas não tem como fugir, não é mesmo ?). Ainda vou fazer as postagens das músicas no canal e isso vai tomar um certo tempo, por enquanto nada de novo. Eu to considerando postar playlists de vídeos e músicas, que eu considero interessante, assim como no site no bandcamp tem por exemplo.


Só que com música br, música mais experimental, coisas do próprio bandcamp que eu curto e quando formos falar de coisa pop, pegar alguma coisa não explorada ainda. Ou seja, eu mesmo quero explorar mais música. Pode ser que tudo não saia tão rápido aqui, porque eu vou tentar fazer umas mil coisas ano que vem, mas vou tentar e quem sabe mais gente não comece a fazer também.

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09 dezembro 2023

O fracasso da politização liberal

Eu tô escrevendo isso 23 horas numa quarta-feira. Hoje eu vi uma notícia sobre uma série de medidas do governo em relação à polícia militar, que dá mais autonomia, mais dinheiro, etc, e a grande consequência disso é a polícia acabar por se tornar uma força poderosa contra a própria democracia.


Então, eu compartilhei o texto em diversos espaços e foi muito unânime a falta de reação, falta de se ler o texto e tentar formular uma discussão sobre o assunto.

O texto tem lá seus problemas e tal, mas é difícil da gente sequer entrar no texto, porque em um primeiro momento, ninguém se importa com isso. E olha, a gente tá falando de uma matéria com título apelativo, quanta coisa não fica enterrada por que não é a fofoca do dia ?

É foda porque você tem, tanto no meio dessa galera que se diz de esquerda, mas é liberal, que vive falando que a direita é ignorante e tal - do outro lado, a direita fala a mesma coisa da esquerda (que ela é burra, lacradora, blablá).

E olha só, todo mundo é ignorante ! Se a gente assume que isso é verdade, o passo mais importante não seria tentar educar as pessoas ? Conversar com um pouco mais de paciência, fraternidade, etc ?

Então, na prática, você não tem um debate público qualificado, etc. Você tem um bando de pessoas que discutem política como uma fofoca da tarde. É claro, tá tudo bem na vida deles, eles vão se aposentar, tem o emprego deles, saem de casa sem risco de morrer do nada.

Por isso é ok dar tanta atenção para roubo de jóias do Bolsonaro (E AINDA DAR RELEVÂNCIA PRO BOLSONARO) do que se organizar, denunciar o genocídio continuado da população afro-indígena do Brasil. Debater orçamento ? Que tal discutir a vida da Michele Bolsonaro ? Ou a merda que um coach falou nesta semana ?

Isso chama, mobiliza, faz a gente escrever, fazer vídeo, livro, etc. Enquanto política mesmo, nessa mesma toada, conseguiram aprovar uma política nacional de assistência estudantil ! Como que de um lado, é aprovada uma medida de esquerda dessas e algo tão reacionário como isso da PM ? Lembrando que é o chamado congresso mais reacionário dos últimos anos, não é isso que deveria impedir esse tipo de coisa de passar ?

A gente vai debater hegemonia ? Como que a luta de classes acontece também dentro do Estado nacional ? Não, não vai. “Ah mas aí você tá exigindo demais” - eu não tô falando de gente pobre, é gente que só fala de política. Você vê esse comportamento em grupo de gente que não cansa de te lembrar que é universitário.

E gente do céu, mesmo que a pessoa não tenha educação básica, vocês querem mesmo tratar todo mundo como idiota ? Eu discordo horrores do Mark Fisher em uma série de questões, mas tem uma coisa interessante que ele coloca do porquê ele tem um blog, que é de um lado você quebrar um pouco com essa inacessibilidade da universidade pública (se for privada é até pior) e do outro, você tratar o seu público com respeito.

Tem gente que cresce sem ler um texto mais crítico sobre qualquer coisa e vai ver isso na universidade. Gente do céu, nossos alunos deveriam ter contato com essas coisas. Não tem um por quê para isso acontecer ? Isso que devemos discutir.

Eu acho que todo mundo tem condições de discutir sobre o futuro do país. Se eu que estudei um pouco, tenho como função, até numa perspectiva bem liberal, eu tenho que ser uma ponte de conhecimento para vocês para melhorar as nossas decisões na democracia.

Numa perspectiva revolucionária É ESSENCIAL QUE A GENTE DISTRIBUA, PRODUZA SABER. Como você vai governar um país ? Qual vai ser sua política de produção ? Isso precisa de conhecimento.

Por isso educação popular, seja com algo tão pequeno quanto um blog, ou algo mais amplo como uma escola, é muito importante.

Então assim, sinceramente é muito triste isso. O que o pessoal entende como esquerda no Brasil, sem uma perspectiva histórica, é na verdade um bando de liberal. Isso que a gente precisa entender da nossa cultura política.

O PCB de 61, enfim tem várias interpretações para o racha, mas é claro o abandono ao horizonte da revolução popular. Isso por si só, mais a ditadura, mais o marasmo dos anos 90 com o fim da URSS, isso com uma propaganda anticomunista constante é o suficiente para gente considerar a hipótese que a esquerda brasileira não existe.

Ela adota práticas liberais, ela defende ideias liberais e o mais importante, ela é contra-revolucionária. Poxa, eu não conheço tanto a história dos bolcheviques, mas gente, ali tem uma cultura política, uma práxis, uma construção teórica, de no mínimo 20 anos. E prática marxista, a gente não tem isso no Brasil.

E como eu já escrevi, os textos, mesmo os pensadores pós modernos, em si, não são tão reacionários. Mas aqui é impossível a gente não ver que isso aqui no Brasil é instrumentalizado de forma reacionária.

Você tem esse bando de intelectuais, que ocupa aí os cargos altos do governo e tal, que é versado em francês, alemão e as porra, que arrota marxismo ocidental para defender pautas neoliberais. Aí fica num subjetivismo extremo, uma psicanálise social desnecessária.

A gente é ensinado a achar que foi Getúlio Vargas que industrializou o Brasil, a gente não discute as pressões sociais, não discute a conjuntura internacional do momento, a economia como ia, etc. Aí fica fácil você entender porque tanta gente de repente, incluindo as autoridades, acharam que era tão importante regulamentar uma lei para eventos fornecerem água no Brasil.

Precisou acontecer Taylor Swift, não um debate popular, com grupos organizados, etc. Entende o problema ? Como é bem fofoqueira a nossa forma de discutir política ?

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06 dezembro 2023

ᴬ ʰⁱˢᵗóʳⁱᵃ ᵈᵉ ᴬˡⁱᶜᵉ ⁻ ᵒᵘ ˢᵒᵇʳᵉ ᵃ ᶠᵘⁿçãᵒ ᵈᵃ ᵃᵖᵒˡᵒᵍⁱᵃ à ᵖʳᵒˢᵗⁱᵗᵘⁱçãᵒ

O que eu vou escrever aqui é canon para uma história que eu estou escrevendo e serve para ilustrar um ponto. Não tem necessariamente um spoiler, mas pode mudar também.

Tem essa garota chamada Alice. É claro, esse não é o nome real dela, ela é uma prostituta trans. Sim, é uma história meio pesada em várias camadas, tanto que esse post nem vai ser tão compartilhado.

Ela tem uma péssima reputação, ela mente, ela rouba, ela engana. Como é uma menininha loira bonitinha, muitos homens competem para pegar ela logo, ela já fez dois caras brigarem no meio da rua para ficar com ela e no final, ela nem fez sexo com o vencedor.

Além de, claro, viver à noite, ela faz muitos filmes porno, vende packs de fotos num site aí. Nisso ela ganha muito dinheiro, tem peitão por isso, silicone veio dessas coisas.

E aí comparada com outras meninas, ela é meio que uma exceção. Isso faz ela se achar demais. Quando a gente encontra uma pessoa dessas, a pergunta que você deve fazer é exatamente essa : Quais foram as condições históricas que permitiram essa pessoa “chegar lá” ?

Quando você vai ver a história de Alice, ela não vem de uma família rica, veio de uma família de classe média, quem narra a história (Érica), não sabe muito dos pais de Alice, mas sabe que ela fazia sexo por dinheiro com uns moleque de classe média do colégio dela. Ouviu falar claro.

O que fez ela chegar numa clientela que paga bem e sempre, a polícia e os traficantes. Desde cedo, ela sempre usou maconha, ecstasy em específico, por conta das baladas que ela ia. Diferente da grande maioria das meninas trans que são obrigadas a se prostituir por falta de renda, ela meio que ia atrás disso por prazer, por sei lá, achar legal ?

Essa é a parte da história que aparece, que você escuta nas fofocas, etc. E tem a parte do que eu vou cunhar como “jogo”.

Eu quero que você pense num jogo literal. Com pontos, recordes, estratégias, pontos, truques, trapaças, etc. Essa história que você ouviu sobre Alice não tem uma forma confiável de descobrir a verdade.

Isso é porque ninguém sabe se o que Alice fala é verdade, ninguém tem alguma ferramenta para descobrir quem é Alice de verdade, muito do que se sabe dela, vem de reputação de terceiros, é uma fantasia coletiva sobre a vida de uma pessoa.

Não só existe uma dificuldade muito grande de ir atrás da verdade, talvez a pergunta mais importante, será que é tão relevante assim saber a verdade sobre Alice ? Mesmo que de alguma forma, nós sejamos capazes de descobrir a verdade, será que a gente está compreendendo o discurso e a função dessa fantasia na sociedade ?

Uma pessoa como Alice, especificamente, para uma pessoa trans, que não raro ou quase sempre, está desempregada, vive em constante situação de rejeição social, a família não gosta, os amigos antigos se afastam, tem uma dificuldade muito grande de conseguir um emprego (mesmo com qualificação profissional), serve para glamourificar uma situação precária : a prostituição.

Ela é o tipo de pessoa que posta stories de balada, que vive saindo para uns hotéis caros, que sempre vive trocando de celular, viajando, que tem um corpo lindo maravilhoso que todo mundo quer e fantasia possuir.

Essa parte brilhante da prostituição serve, na mesma medida, que o sonho americano, só que para pessoas trans, legitimar e criar um horizonte. É o que faz muita gente aceitar abuso, violência, pouco ou quase nenhum pagamento, etc, em nome de algum dia “chegar lá”.

Existe um interesse para que essa história, por mais fabricada que seja, se torne real. Tudo o que Alice diz pode ser mentira, a história dos homens brigando, os traficantes, os policiais, os homens de negócios, o silicone, o corpo lindo, as festas, o cabelo loiro belíssimo, os celulares novos, tudo precisa ser verdade, por um lado, para criar um horizonte, por outro, para esconder uma realidade mais pesada, para justificar o nosso sofrimento coletivo e por fim, e mais importante, também é importante para Alice - isso a torna famosa.

É muito claro isso. A comunidade trans mesmo, não é nenhum pouco unida, a esquerda não sabe nem o que fazer com a gente, a direita nos mata, é cheio de gente liberal para todo canto falando merda e uma ferramenta de resistência, fora religião, fora o abuso de drogas, é adotar um tipo de individualidade radical. É você se auto afirmar como puta, como vagabunda, como travesti, como gostosa, como uma figura desejável.

Ou seja, por mais mentira que a história de Alice seja, toda travesti quer ser uma Alice, essa história fantástica ser verdadeira é uma forma de dizer que podemos fazer sucesso. Podemos ser mulheres de sucesso, não à toa, há esse espelhamento em divas pop.

Isso é visto por muita gente como a única saída para uma vida melhor. Não é militância, não é estudando, não é tentando construir uma carreira, é você se prostituir. Esse é o único horizonte que uma pessoa trans possui na sociedade que a gente vive.

De um lado, nós temos toda a transfobia, todos os piores estereótipos possíveis e do outro, glamourização do trabalho sexual. São moedas do mesmo lado, que servem para manter a gente nessa realidade.

Por isso a história de Alice, no esquema do jogo, é o recorde a ser batido, é o conjunto de valores a ser seguido, é um meta, isto é, a estratégia mais viável possível.

Uma estratégia de jogo, para ser viável, em primeiro lugar, precisa ser consistente. Pensa o seguinte, dado básico na sua cara : conseguir uma vaga de emprego para qualquer pessoa é difícil, se você começa a falar de pessoas trans, de gente preta, imigrante, indígena, etc - Aí os RH jogam você na lixeira primeiro, mesmo que existam leis contra-discriminação.

Vamos supor que você é trans e aí você passou dessa fase, aí você vai ter que lidar com RH, entrevistadores, etc, que não sabem lidar com pessoas trans. E olha que eu não falei do emprego em si, da relação com colegas, etc.

Veja, tudo isso que eu descrevi, podem ter sido meses, até mesmo anos de vida, não é todo mundo que pode ou que tem essa sorte. Se você for falar de trabalho autônomo é até pior, que tal lidar com uma sociedade transfóbica ? Parece legal né ?

O único lugar que as pessoas esperam uma pessoa trans é na prostituição, no crime, na cadeia ou em alguma cova com o nome morto escrito. (A título de demonstração, eu de legging, camisa de metal, sem maquiagem, já fui abordada na rua, por um maluco achando que eu era puta - quantas ofertas de emprego formal eu já recebi ? Zero…. E não, eu não aceitei a proposta do maluco)

(Isso porque eu nem falei do suicídio, as questões da nossa saúde mental)

Nessa história toda, a verdade definitiva da história de Alice é a coisa mais irrelevante que poderíamos discutir. Mas, o interesse, a função do discurso, a necessidade das pessoas assumirem esse discurso e de reproduzir ele.

Essa personagem eu criei. Mas não é difícil ver alguém assumindo essa persona, adotando essa personagem e nesse caso, você não ter uma Alice, mas várias pessoas que imitam Alice.

Eu tô escrevendo isso, porque eu tô numa posição muito única. Tô na universidade, eu sei escrever, falo inglês, sou branquinha, até o momento tenho onde morar e recebo uma ajuda da família. Sem isso, eu teria que estar numa esquina qualquer, fato. Foda-se a minha graduação, foda-se os textos que eu escrevo, a única coisa que a sociedade quer de mim é o meu **.

E eu sei que existem outras pessoas nessa posição meio que num limbo. Você não está vivendo tão mal, mas também não tem nada e não tem nenhuma perspectiva para fazer nada no futuro.

Aí eu resolvi fazer esse texto, tentando resolver isso. A gente não precisa de Alice, eu acho que não precisamos também da suposta militante que na verdade é bem liberal também. Como não precisamos de mim, a “acadêmica” ou da menina trans gamer que vive em casa.

Muito menos precisamos de gente conservadora, muito menos ainda quem defende o empreendedorismo.

Eu literalmente numa busca eu achei uma menina numa comunidade que faz desenho, posta onlyfans, programa (de pc) e se brincar, música, foto, etc, etc. Então, não, isso não funciona também.

O que a gente precisa é fazer uma coisa diferente. Que tal apostar nas pessoas ? A chance de você morrer é a mesma, isso eu garanto. Mas e se a gente, por exemplo, construir comunidades, firmar mais laços com as pessoas, e se a gente militar, mas de outra forma, e se a gente fazer arte, mas não sempre do mesmo jeito ?

E a lista segue.

É triste ver as pessoas tentando sempre a mesma coisa, sem ter capacidade alguma de tentar outras coisas. E gente, nós literalmente não temos nada a perder. Para essa sociedade, nem as correntes, a gente tá abaixo disso….

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04 dezembro 2023

report 017

Às vezes eu faço um exercício de tentar ver como vocês pessoas vivem e sinceramente, é uma prática que me deixa triste e me faz sei lá, ver o quão distante eu estou.

Eu fico uns dias fora, faculdade e tal, quando eu volto para olhar o que as pessoas estão fazendo na internet, nada literalmente mudou, os mesmos debates, as mesmas problemáticas de sempre, fico vendo o quanto vocês reclamam de certas coisas e não tem muito uma perspectiva de tentar entender isso para fazer alguma coisa.

De um lado, eu não fico (tão) triste em ver que tá todo mundo perdido e que, apesar de tudo, eu lido razoavelmente bem com isso.

Acho que eu já decidi, vou parar muito de acompanhar o pessoal de política, especialmente conteúdo BR, é meio ruim, sei lá. Eu sinto que não me agrega nada e ninguém ali tem interesse em fazer nada sério.

Em relação ao meu blog e música, eu quero fazer uma mudança radical, me afundar mais nisso e deixar para lá sabe. Diferente do que muita gente faz, queria me engajar mais com as coisas, tentar mais e tal. O que muita gente faz ? Se fecha num narcisismo, começa servir alguma religião, comigo o contrário, quem sabe eu não comece a minha seita ?

Para isso, preciso jogar o joguinho de linguagem das pessoas, mexer com a imaginação delas, com o desejo e os medos, e para isso, preciso tentar ter alguma paciência, alguma capacidade de fazer coisas e isso meus caros, hoje só é possível se eu conseguir me medicar.

Eu já estou num estado mental de uma pessoa que viveu umas 1000 vidas e já não aguenta mais, por exemplo, eu acho muito chato ter que ter paciência com certos “pensadores” por aí, que são desonestos, mau caráter e tal - mas são pessoas que você precisa lidar para ter coisas, ser ouvida e tal.

Sem citar um dos estereótipos mais comuns e mais odiados da internet : os carentes. É gente que quer o ego massageado, que quer ser ouvido e sabe, quer isso e quase sempre não te dá nada em troca.

Sabe uma coisa triste de mim ? Eu não bebo, não fumo, não tenho religião, sim, eu aguento a vida no seco. E sabe, não tem coisa melhor, que fazer essa merda que vocês fazem aí para lidar com a vida e falham miseravelmente, com uma medicação controlada, com uma dosagem testada, etc, etc.

É isso, meu atestado de cansei, meu manifesto de “foda-se se eu sou inteligente”, se eu tenho talento disso, daquilo, o que eu vejo ? Lentamente, eu vou sendo jogada de canto e quando eu precisar, quem vai aparecer ? Por isso eu digo, se importa comigo ? Cuide de mim, pare com conversa mole e etc.

Do contrário, não se surpreenda se eu precisar fazer coisas que você não gosta. E uma coisa, é uma pessoa ferrada, sem escola, sem know how, sem consciência - outra completamente diferente é uma pessoa que sabe o que eu sei, o impacto que isso pode ter. Inclusive, fica a indireta para o serviço público, que sempre foi precário e excludente, e toda vez, me falhou em me ajudar…

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