jones manoel x cesar calejon : bet com política

Marcadores: Layer:01 - Weird

Marcadores: Layer:01 - Weird
Marcadores: Layer:01 - Weird
Marcadores: Layer:01 - Weird
Eu tenho uma mania que eu pessoalmente não gosto muito, que é ficar refletindo sempre sobre a minha vida e basicamente viver em constante crise.
Você que uma vez ou outra, vai ter ou teve, um daqueles períodos obscuros de incerteza e de reflexão profunda, bem vindo ao meu mundo, eu sou a criatura que vive nesse lugar.
Então, eu me peguei para pensar um pouco sobre a Covid, sobre o que foi março de 2020 até final de 2021. Não pretendo ir muito fundo na parte pessoal, mas digamos que até agora, foi o pior momento da minha vida e eu basicamente cresci com depressão, então foi horrível mesmo.
Então, eu sempre fui muito fã de distopias em geral. Como crítica, gênero literário, estética, tudo. Talvez você tenha notado pelo o que eu posto/escrevo por aí.
E a melhor parte para mim, é que eu não sou uma velha e hegeliana filofascista como o Zizek, então eu consigo ver o fim do capitalismo no fim do mundo. Sinceramente, a questão que mais me pega nas distopias versus o que a gente vive, é que na distopia o fim do mundo é iminente.
Existe na distopia, na grande maioria delas, uma resistência, um grupo rebelde, alguma coisa, contra essa realidade merda. Não só isso, na distopia existe uma instabilidade das estruturas a ponto de que a qualquer momento, tudo pode se tornar algo completamente diferente.
Enquanto na nossa realidade é difícil enxergar esse grupo rebelde, não raro ele é impotente diante a estrutura vigente, quando não é uma oposição controlada do inimigo.
As coisas não vão bem, mas não ruins o suficiente para serem insustentáveis. O mundo tá uma merda e tá tudo certo, é para ser uma merda e muito bem organizado para tal.
Isso cria uma situação de “tédio apocalíptico”. Os bueiros começam a explodir, as pessoas são executadas na rua, a fome cresce, o desemprego só aumenta, as ruas são invadidas pelo mar, etc, só que isso não destroi o planeta.
Não causa nenhuma grande ruptura, muito menos desestabiliza o que a gente pode chamar de sistema. O movimento é senão o contrário, os meteoros, as mortes, os suicídios, as pragas, etc, vão se tornando parte da paisagem e quando a gente vê, a gente se acostuma.
Passa a ser normal viver no inferno. A Covid em grande parte foi um exercício de não cair no completo niilismo. Todo dia muita gente morria, no caso do Brasil, havia um projeto muito explícito para isso e no final de tudo, ninguém foi preso, ninguém foi punido e em grande padre, tudo aquilo se tornou uma memória distante.
A Covid desestabilizou tudo, mas ela se tornou parte do cenário. Você acaba entrando em um certo nível de crise existencial sem volta : nada realmente importa, e para mim nunca foi problema em ser um grão de areia no espaço, o pior para mim foi olhar para a minha volta e enxergar uma vastidão de vazios.
Eu tive sorte para um caralho, falando no bom francês, mas eu nunca tive contato com tanta falta de humanidade (e eu cresci em Santa Catarina, então foi muito ruim mesmo). Foi muito difícil por isso também. Patrões escrotos, gente ignorante querendo basicamente matar você e toda sua família com essa doença, você tendo que lidar internamente com a irresponsabilidade de pessoas próximas não ligando para a doença, aí você em uma tensão constante de ninguém saber o que vai acontecer.
Ao mesmo tempo, aos poucos, essa situação atípica se normaliza e é isso que mais me incomoda da Covid como um apocalipse. Se normalizou viver na merda, todo mundo ser escroto, você não poder confiar em literalmente ninguém e ainda ter que lidar com uma doença contagiosa maluca que uns biruleibes querem te passar.
Me causa, para dizer no mínimo, nos meus melhores dias, raiva de tudo isso. Mas em grande parte, o sentimento que domina é o cansaço.
Pensa, ainda em 2020 tivemos eleições municipais, 2021 Lula atacando o impeachment do Bozo. Pensa no desgaste que foi, você tentando sobreviver e os cara, no meio disso tudo, os cara ainda fazendo cara de cu para você, para conseguir ficar conciliando com literalmente Deus e o Diabo.
A troco de que ? Vários nada, esse é o termo técnico. Chega no poder para continuar normalizando a desgraça.
Enfim, que eu seja a lenda talvez…
Marcadores: Layer:01 - Weird
O que eu quero abordar é mais a questão do que a gente está vendo, qual é o movimento político que o PT está apresentando ? Para isso, eu vou me usar de uma citação de uma matéria do jornal Bahia notícias, ela segue assim :
Com esse elemento, somada alguns outros movimentos que o PT vem fazendo, me fica me parecendo claro que o que está acontecendo, é que existe internamente, pelo menos uma boa fração do partido, que acredita que a melhor forma de combater o bolsonarismo/conservadorismo, não é nem puxando as temáticas para a esquerda, mas ocupando o que seria espaço do conservadorismo e no processo, o próprio PT acaba dando umas guinadas para a direita. Note que existe para a direita um desconforto com o fato do PT estar compondo até bem demais com a própria direita, enquanto existe um certo descompasso com parte da militância que ainda é "progressista"."Durante uma reunião da federação em Salvador, na última quarta-feira (13), um questionamento causou embaraço aos membros partidários. Segundo presentes no encontro revelaram ao Bahia Notícias, um quadro da federação questionou sobre a permanência de André Fraga no PV. Uma das fontes relatou ao BN que a saia justa fica por conta da postura de outros vereadores da Federação Brasil da Esperança com matérias apresentadas pelo Executivo Municipal. "E Suíca (que é do PT), que vota com [o prefeito que foi vice de ACM Neto, vice presidente nacional do União Brasil] Bruno Reis às vezes? E Tiago Ferreira? O próprio Hélio Ferreira, do PCdoB", disse um integrante em condição de anonimato.
Os exemplos de "adesão velada" à gestão, que não passam necessariamente por votação em Plenário, foram citados à reportagem, incluindo durante reuniões conjuntas da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Vereadores. Um dos casos relatados ao Bahia Notícias por vereadores é sobre a apresentação de um relatório no colegiado, presidido por Paulo Magalhães, do União Brasil. Durante a leitura de um parecer, Suíca pareceu "muito empenhado" em acompanhar o relator, mesmo com questionamentos de colegas de oposição sobre a matéria em questão. O movimento causou estranheza inclusive em seus correligionários petistas." LEIRO, G. L. /. Adesão de vereadores do PT a projetos de Bruno Reis “dá fôlego” para André Fraga continuar no PV. Disponível em: <https://www.bahianoticias.com.br/noticia/290200-adesao-de-vereadores-do-pt-a-projetos-de-bruno-reis-da-folego-para-andre-fraga-continuar-no-pv>. Acesso em: 15 mar. 2024.
Marcadores: Layer:01 - Weird
Toda vez que se ouve o nome Bolsonaro, bate uma canseira tremenda. Há certo tempo atrás, nós até tínhamos uma certa paciência para gastar umas horas explicando o fenômeno, hoje bate apenas uma preguiça tremenda.
Isso porque parece que o que impera é um cansaço geral. Nada mobiliza mais as pessoas que o bolsonarismo, seja positivamente ou negativamente.
Existe uma certa recusa em destruir o bicho de uma vez. Quero chamar atenção pro fato de que o “campo democrático”, isto é, a esquerda institucional, tem uma aversão à organização popular. Toda vez que se fala em organização, os fantasmas de Hannah Arendt e de Leon Trotsky, surgem para combater o “totalitarismo”.
De repente, não pode ter hierarquias, tarefas, estudos, leituras, é esperado que se faça militância por boa vontade, por “amor à humanidade e aos valores democráticos”. A questão é que o coletivo anarquista mais fraco TEM UMA ORGANIZAÇÃO. Se você não vai adotar a organização leninista, você precisa adotar alguma outra forma de se organizar, se você vai ter eficácia ou não, isso é uma outra discussão.
Então, esse “campo democrático” acaba por depender muito de uma reação autônoma, precarizada, individual, de pessoas e instituições que são afetadas de alguma forma pelo bolsonarismo.
Isso por si só não destrói o bolsonarismo, mas mobiliza quadros do “campo democrático” preparados para colher os frutos eleitorais. É uma questão puramente eleitoreira, o que fica claro com esse ano de governo é que o “campo democrático” tem muita preocupação em conciliar com quadros do bolsonarismo.
Basta a gente ver que o grande esforço do governo em agradar quadros do União Brasil, ou a puta dificuldade de lidar com Arthur Lira - mesmo com toda crise de Maceió.
Esse é o motivo político do bolsonarismo ainda não ter sumido, não só suas bases sociais continuam existindo, como o “campo democrático” depende deles para mobilizar suas bases desorganizadas.
Outra razão é a necessidade da mídia burguesa em ganhar cliques. Claro, isso tem a questão da dinâmica da internet, mas é muito visível que existe um certo vício por um espetáculo jornalístico como a Lava jato e os 4 anos de Bolsonaro, foram um espetáculo em si.
Toda semana ou melhor todo dia, tinha alguma bizarrice para publicar do Bolsonaro. Com a vitória do Lula, se perdeu um pouco disso, mas é muito visível o esforço da mídia em sugar cada segundo possível da sua atenção falando de novo do Bolsonaro.
É muito por isso que ele nunca some do debate público. O fantasma dele é invocado em toda discussão, tanto por ele ainda ter uma base mobilizada, tanto por ele ainda ter gente que se mobiliza contra ele de forma espontânea, tanto porque a mídia sem assunto depende de um espetáculo para apresentar. Não é uma disputa fácil, ainda que não seja a coisa mais difícil do mundo para a mídia burguesa, competir por atenção na internet.
Aí você cria uma situação que um cara, que vai, tem uns filhos com cargo público, aliados por todo canto, mas já não é lá tão importante, se torna centro do debate público novamente porque as pessoas precisam dele, seja na direita para mobilizar bases de sempre, na esquerda com o anti-bolsonaro, a mídia lutando por atenção e pela briga para poder transmitir.
É um tipo de disputa falsa. Já que ela não pode ter um vitorioso, nós ficamos nesse eterno impasse. É até engraçado porque o bolsonarismo não consegue ter embate com a esquerda radical, já que a mesma não tem o tamanho que o “campo democrático” possui. Então, o petismo é a única coisa que eles podem apontar e fazer pânico moral.
Para se dizer, no mínimo estamos diante de um cenário político broxante. Sabe quando nenhum estimulante funciona em você de tão depressivo que você é ? E aí você começa a tentar um monte de coisas diferentes e nenhuma delas funciona ? Depois você acaba voltando à velha rotina de sempre, por que é a única coisa que você consegue fazer ? Eu sei que é um exemplo muito específico, mas ele expressa bem a sensação, é um quadro de depressão social de um povo cansado.
Marcadores: Layer:01 - Weird
Aqui no ocidente se tornou comum termos adversários conservadores sem a mínima qualificação intelectual. No Brasil temos Bolsonaro e uma lista infinita de bolsonaristas, todos sem a mínima capacidade de pensar o mundo à sua volta. É um tipo diferente de burrice, é um tipo de ideologia que consegue fazer precisamente a inversão da realidade que Marx descreve na Ideologia Alemã.
Na Rússia a história é outra. Nós estamos falando de um tipo de conservadorismo que estuda, que escreve, que tem capacidade analítica e que domina muito bem a ciência. Enquanto no Brasil, a ciência é uma ferramenta que os conservadores têm aversão, na Rússia figuras como Putin, de fato estudam e sabem muito bem o que fazem, no que se trata sobre estratégia política, história, sociologia.
Os desafios para os novos comunistas russos (se é que eles ainda existem por lá) é o dobro de dificuldade que os bolcheviques tiveram que enfrentar com os Romanov. Esse tipo de conservador inteligente aparece na figura de Alexandre de Moraes no Brasil. Ele é o mais próximo de ser um “liberal esclarecido”, só que ele está sozinho. Nem mesmo Haddad, Dino e Rui Costa, que são quadros que vieram da esquerda, têm essa mesma habilidade.
É incrível ver Alexandre de Moraes, que foi indicado pelo presidente mais impopular do Brasil Michel Temer (que é ruim também, não se engane no portugues rebuscado), ter aproveitado a deixa, e claro dentro das suas atribuições de juiz, em comprar a briga contra o bolsonarismo, ainda que isso seja no curto prazo dê uma certa hegemonia para a esquerda. Isso ajuda o STF de uma forma geral, no médio longo prazo, a ganhar mais credibilidade com a população, mostra a seriedade e o compromisso do órgão com a justiça (mesmo com todas as decisões contra a classe trabalhadora em questões trabalhistas, por exemplo).
Eles avançam o projeto, mas a gente aplaude porque vai pegar o ratinho do Bolsonaro.
A grande questão da direita brasileira é que ela não precisa do caos do Bolsonaro para continuar seu projeto político. Isso Moraes entende bem, a burguesia já domina o Estado, os meios de comunicação, as redes de distribuição, o exército (capenga e tal, mas tem armas), a polícia, a esquerda mal consegue dominar o que em tese seria seu espaço, a universidade. As ruas dormem com desemprego, fome, desmobilização, epidemia de depressão e ansiedade.
O clima político do Brasil é de realismo capitalista. Isso cria uma situação de depressão generalizada que é difícil fazer as pessoas sequer saírem de casa para votar. Qualquer pessoa comum, que não é muito ligada com política, se sente o tempo todo enganada, mal representada e se sente impotente em relação à política. Não é só os noticiários que ajudam a perpetuar essa sensação, mas também a própria vida nesse capitalismo neoliberal, de todos contra todos, de esquemas dentro de esquemas, nas boas e velhas panelinhas, etc, que ajudam todo mundo sentir uma sensação de estar jogando um jogo de cartas marcadas.
É você mandar curriculos para tentar arranjar um emprego sabendo que tem provavelmente alguém que é amigo do RH, do chefe e a porra toda, que provavelmente vai conseguir a vaga antes de você. Por isso todo mundo engole seus antidepressivos e cigarros até não aguentar mais. Eu não sei como é a política russa atual, mas o que eu sei é que nós precisamos apostar na inteligência do povo, pensar de forma mais estratégica, inteligente, comprometida, porque se a nossa direita aposta na burrice, isso nos dá espaço para ser essa amálgama desorganizada que chamamos de esquerda.
O fato da gente ainda ter um movimento de esquerda no Brasil hoje em grande parte é sorte de ter uma direita tão tosca e anti-iluminista. Por outro lado, a gente precisa pensar no papel que essa esquerda libertária, liberal, tem em manter o movimento de massas desorganizado. Será que o Brasil precisa de um Putin ou a esquerda libertária já faz esse papel de minar a organização popular ?
Marcadores: Layer:01 - Weird
As nossas universidades, por mais que elas tenham esse ar iluminista, sua estrutura é a mesma medieval. O iluminismo, já que falei nele, também, tinha uma avaliação sobre o mundo e com isso um projeto político. Os famosos contratualistas, por instância, tinham uma avaliação sobre o mundo e essa avaliação, ditava qual projeto político eles defendiam. Exemplo mais evidente que Hobbes e seu medo, na defesa da monarquia. A filosofia moderna, na mesma medida, partia suas ações políticas de sua filosofia.
Eu sei que eu estou jogando uma série de autores diferentes juntos e eu sei que o recorte pode ser problemático. Mas consegue notar um certo padrão ? Eu tenho muito mais uma proposta política dentro de um autor como Rousseau do que em Deleuze, Lyotard, Fisher, Zizek, etc. Claro, eu não sou uma defensora cega da novidade, para fazer certas coisas não precisamos reinventar a roda, ao mesmo tempo, que precisamos adaptar a roda para o terreno que vamos pisar. Esse é o pulo do gato que não estamos fazendo. Também não dessas que diz "a filosofia antes era melhor", não, o problema é a gente adaptar a filosofia pro nosso tempo/espaço.
Como uma estudante, eu leio essas coisas, basta ler o que eu escrevo você vai ver toques pós-modernos. Sempre me incomoda a completa incapacidade de traçar uma ação política nos filósofos atuais. “Mas a filosofia não tem uma obrigação de ser útil, ou de apertar a sua mão e te mandar o que fazer” - Então, eu te pergunto por que a gente ainda perde tempo estudando filosofia ? Se a filosofia não se interessa em lidar com a vida, por que estudar ela ?
Muito da bagagem teórica da antropologia, da história, da sociologia, da ciência política, da psicologia, da pedagogia, etc, já cobrem muito do que a filosofia cobre. Se você pensa de forma mais pragmática, materialista, sequer faz sentido você se dedicar tanto tempo atrás de filosofia. Aqui a gente pode acusar de academicismo, de oportunismo, etc, e é válido para a vida acadêmica de uma certa forma como um todo. (É uma crítica boa ? Depende, eu vejo muita gente fazendo, acho limitada, mas é feita por aí)
E aí, eu quero fazer um exercício com vocês que é tentar pensar o seguinte : o que a gente faz com essa conclusão ? O que me incomoda com essa posição é que ela nos deixa sem o que fazer, ela não nos leva a nenhuma direção - eu vejo a filosofia muito como uma ferramenta para lidar com esse tipo de situação.
Os pós-modernos, por assim dizer, não possuem em grande parte, um compromisso social com o que escrevem, com o que ensinam, com quem falam, porque eles mesmos são elementos isolados na sociedade. Aquela velha conclusão do narciso moderno, que aparece em uma dezena desses autores, também é válida para eles mesmos. Isso explica um outro fenômeno : a quantidade de gênios autodidatas que apareceram. Coaches, cursos, influencers, gurus, figuras que acreditam saber sobre tudo - e a gente sabe bem que eles não sabem.
Como esses pensadores não têm compromisso social, de que importa a didática ? No mais, o público busca um igual, busca discursos, ideias, conceitos, mais próximos do que ele mesmo já acredita. O filósofo como uma figura contraditória, ele fica para trás, perde para o ideólogo do discurso fácil.
É fácil de engolir porque é familiar - porque é comum, isto é, porque é a ideologia dominante. O filósofo, este, também isolado no seu canto, não tem o que fazer senão trabalhar narrativas que mostram sua fragilidade.
Aqui podemos avançar, o nosso foco na filosofia precisa mudar. O bom filósofo, que tem algum compromisso com um projeto revolucionário, ou de mudança social, precisa mudar sua forma de atuação. Ou seja, a filosofia revolucionária precisa voltar para o povo. Mas é interessante, mesmo figuras como Zizek, optaram por uma outra opção : que é adotar a imagem, a postura, de um demagogo - ai realmente fica difícil diferenciar o filósofo do coach.
E fica difícil também considerar o socialismo, imaginar o fim do capitalismo, acreditar no trabalho de massas, propor alguma alternativa política e por ser da filosofia, ninguém realmente espera algum compromisso político.
Marcadores: Layer:01 - Weird
Marcadores: Layer:01 - Weird
Qual é o problema desse vício ? O real como um conceito, assim como a verdade, para ser real precisa corresponder a uma série de requisitos para ser tratado como verdadeiro.
Eu posso muito bem afirmar que uma história realista precisa ter sempre um elefante voador, se esse for meu critério de real. Ou seja, o real ou o que chamamos de realidade, têm critérios completamente arbitrários.
E sim, estou te dizendo que a sua mente te engana, que os valores sociais construídos definem o seu entendimento de mundo.
Na prática nós passamos muito mais por situações que jamais saberemos se são verdadeiras ou não. Há uma hipervalorização da discussão sobre a verdade. O que mais me incomoda nessas histórias é uma posição meio "meu mundo não é real ?", "será que as pessoas estão mentindo ?".
(O correto seria eu sair falando um monte de conto e autor para apontar o que eu estou falando. Mas sinceramente, cansada de escrever cheia de amarra. Você acha esses padrões do que eu critico muito em autores como Rorty, Nietzsche)
Muitas dessas histórias são movidas por perguntas como essas. Histórias de espionagem são cheias de idas e vindas, conflitos de interesse, sedução, disputas de poder, traições e o grande problema é sempre esse estatuto da verdade.
Como espião, o que fazer ? Note que a própria discussão moral passa pelo mesmo marcador de verdade, o que é certo ou errado ?
Questão é que se formos mais a fundo nesse buraco, começamos a perguntar se tudo não é uma alucinação, se não estamos dentro de algum tipo de simulação high-tech, etc. Acabamos por trazer perguntas impossíveis de verificar.
Vamos partir da pergunta : o mundo não é real. Se a gente sentar e listar as coisas que podem distorcer a nossa percepção, coisas que nós fazemos com nós mesmos e o mundo faz conosco, nós chegaríamos à conclusão de que nós nunca saberemos o que é real.
A filosofia clássica veria isso como um problema a resolver. Temos que descobrir como descobrir a verdade. A grande questão é que isso não importa tanto assim. O que é real, não importa quando estamos escovando os nossos dentes.
O grande debate sobre o real não é uma questão cotidiana. O que acontece é que nós aprendemos a viver nessa confusão entre realidade e ficção, nós chegamos a um ponto de sofisticação tal, que a gente cria ficções para puro entretenimento (até pelo tipo de sociedade que construímos, note-se).
Se a verdade fosse uma questão tão importante quanto os filósofos gostam de fazer parecer, nós não teríamos uma sociedade tão fixada em suas ficções e elas tem uma grande importância em decidir questões importantes em nossa vida.
Volto lá atrás nas perguntas, todo mundo mente, nada é verdadeiro, tudo é uma simulação, tudo é uma alucinação, etc, etc. Em certa medida, tudo isso é verdadeiro e não importa, se a gente levasse a sério esse tipo de verdade, derrotaria o propósito de socializar, por exemplo.
Se você já entra numa relação com medo da mentira, sinto-lhe informar que você nunca vai se relacionar. Claro, podemos aqui gastar horas falando de traição, mas essa nem é uma mentira tão grande, estou falando das fantasias, os sonhos, as frases, os nossos conceitos de amor, família, etc, que inventamos.
Namorar, dentre várias coisas, é também viver uma fantasia do amor, as pessoas tentando viver um filme, um conto, só que na vida delas. A ideia do romance, é o que acaba com muito relacionamento, por uma razão muito simples : as pessoas querem viver uma ilusão.
A própria ideia de desvelar "verdades ocultas" é uma ficção. É isso que precisamos entender. "A mídia mente" - isso não é nenhuma novidade, a grande questão é como, onde, porque.
Por isso, eu acho que Maquiavel uma leitura essencial na ciência política (pouco lido, por sinal). Você sabe que os seus aliados provavelmente te envenenariam enquanto dorme e você cria uma série de contingências de tal forma, que eles ou não vêem vantagem nisso, ou não tem a possibilidade para tal.
Geralmente essa reflexão sobre o real aparece como uma tentativa de refutar o materialismo-histórico dialético (e assim, não falta autor que faz isso). Eles denunciam que Marx também tinha viés, Marx não considerou X, Y ou Z, a psicologia das massas, etc, etc. E assim, nós estamos falando que o mundo é bem mais complexo, cheio de especificidades, de microcosmos, citando questões bem pontuais e queremos que o outro, de um tempo completamente diferente do nosso, considere esses mínimos detalhes ?
Se Marx sabia ou não sobre essas questões, eu sei lá e não importa, é completamente contraprodutivo, no sentido de construir uma filosofia que tem como pressuposto, a transformação do material, perder tempo com uma série de mini-problemas do mundo, ao invés de tentar considerar um escopo mais amplo que de fato seja relevante para tal.
Esses mundos sombrios são sombrios para seus autores e leitores geralmente porque não existe uma salvação moral, ou porque todo mundo é sem valores, ou porque as coisas são assim mesmo, etc. E aqui a gente precisa fazer perguntas melhores. Nós sabemos que a moral é uma construção, sabemos que as coisas não são simples e não são como aparecem, etc, etc. A questão é descobrir como, onde, porque.
(っ◔◡◔)っ ♥ What's it like when you die? It really hurts :) ♥
Marcadores: Layer:01 - Weird