23 junho 2024

Por que devemos DOMINAR as ciências ?



Sobre o domínio do saber.



É muito difícil não olhar a política brasileira e o seu debate público, sem concordar nenhum pouco com os cínicos.


Eu acho que nessas horas nem compensa vir e ficar tentando dizer que há o que pode ser feito agora para reverter a situação que estamos - Já que é uma coisa (sim coisa) que deveria ter sido feita antes. Vivemos a consequências dos nossos erros.


Se PT faz basicamente a política do União Brasil, se os reacionários estão em toda parte, se a igreja e o pensamento mágico dominam, se etc, etc. Se tratam de consequências de políticas tomamos anteriormente. É duro dizer isso, mas a verdade é que, até pelas condições frágeis do movimento comunista no Brasil, se deixou de avançar em coisas, que em décadas anteriores eram arroz com feijão.


Se existe essa crítica, que sempre volta, que o partido não dialoga com suas bases, que a esquerda não entra na comunidade, que falta uma presença nas ruas além de protestos esporádicos, quando o partido sobe ao poder repete toda a política reacionária, etc. Todas essas coisas são construções, que junto da política de terra arrasada do anticomunismo no Brasil, ajudaram a cementar a hegemonia que a direita tem hoje.


Não se trata meramente de dinheiro. Até porque dinheiro faz parte de uma relação de troca, uma relação social. De nada adianta ter o dinheiro e não ter o conhecimento para fazer, o recurso prático para fazer as tarefas.


Se eu quero um ferreiro e tenho como pagar, de nada adianta ter o dinheiro se ninguém sabe trabalhar como ferreiro. Nesse aspecto da práxis, nós ainda falhamos demais.


Nós precisamos trabalhar exatamente para sermos capazes de termos os ferreiros. De dominar o conhecimento de como fazer e como produzir as coisas.


Por que algumas categorias são mais fortes que outras, é só sua organização ? Também, mas note que determinadas categorias, ainda mais com a precarização do trabalho, ganharam um gigantesco exército de reserva.


Por isso que os telemarketing comparado com os petroleiros nunca vão ter a mesma força. Enquanto o primeiro, é uma função que não precisa de qualificação, de alta rotatividade no mercado, etc, a segunda necessita de formações específicas.


É por que os petroleiros são naturalmente comunistas ? Não, o que fortalece sua luta é o domínio do conhecimento, o dia que para ser petroleiro não necessitar mais nenhum requisito ou da gente perder o domínio do conhecimento para as máquinas ou uma privatização estrangeira somada com fechamento das escolas, ser petroleiro vai ser igual ser telemarketing. É o que vem acontecendo com os bancários por conta do uso cada vez mais crescente de automação bancária, por exemplo.


Isso é um ponto central. Não é só “se comunicar melhor”, ou mudar a língua, ou sei lá, alinhar o post no Instagram. É ter o domínio do conhecimento e se organizar politicamente.


O capitalismo ficaria muito feliz se pudesse substituir cada um de nós por máquinas. E mesmo que isso fosse possível, a gente precisa entender que ter um saber sendo humano é diferente de uma IA.


Uma IA recebe uma atualização de tempos em tempos. Ela fica presa nisso, por mais que “aprenda” com o feedback (machine learning). Mas nada se compara com ter um corpo orgânico, com conhecimento e que tem a capacidade de fazer esse conhecimento crescer.


Se a IA não tiver o feedback humano e as constantes atualizações, ela não é muito diferente dos NPC dos antigos jogos - meia dúzia de códigos repetindo comandos, nada mais do que uma calculadora de padaria.

(E me perdoe, se você não consegue exaurir uma IA generativa ou enxergar as diferenças de conversar com uma pessoa, o problema é exatamente sua falta de socialização. Se a máquina consegue te convencer que é humana nas condições atuais de desenvolvimento, você precisa de ajuda. É sério.)


Concluindo…Eu sinceramente, perdoo todo mundo que olha para a política e diz que não tem o que fazer. Problema mesmo é a falta de direção a seguir.


Eu acho que a direção é essa : se organizar e dominar o conhecimento. São duas coisas que se retroalimentam e são capazes de construir uma nova sociedade.


Hoje, de uma maneira geral, é triste ver a falta de domínio e a falta de tato político de observar que essas pessoas precarizadas com muito conhecimento, poderiam trazer para os movimentos populares um saber científico capaz de melhorar nossa capacidade de organização.


Ou seja, a falta de poder político hoje, não é só esquecer completamente do marxismo ou de qualquer resquício de práxis materialista, é também por falta de profissionalismo.


Tanto a clássica questão do “O que fazer” de Lenin e as intervenções de Mao em relação ao exército popular, passam essencialmente pelo domínio político do conhecimento.


Não é sobre reprodução, como receita de bolo, da formação tanto da mídia profissional do jornal ou do exército popular, se trata de instrumentalizar o conhecimento nas mãos da classe trabalhadora.


Da mesma forma que think tanks, agências de espionagem, a academia burguesa, etc, produzem conhecimento para subjugar a classe trabalhadora, a classe trabalhadora deve ser capaz de produzir conhecimento para destruir a burguesia.


É isso, qual a dificuldade que nossos grandes teóricos têm de compreender isso ?

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18 junho 2024

online


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A ideia geral dessa seção é só de experimentar, coisas, ferramentas, anotar coisas de jogos, etc. etc.


Se a tecnologia é a nossa forma de modificar a natureza, é importante, mesmo que de forma superficial (não vou falar de códigos, nem programação), nós consigamos ser pelo menos usuários melhores. O importante não é saber usar determinada ferramenta - é entender o conceito, entender o porquê e o como se usa.


As tecnologias mudam - difícil não é se adaptar à um novo hardware ou software, é o saber usar.
É um pouco meu esforço de trazer textos sobre cibernética, computação com um viés mais sociológico. Espero que gostem.

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07 junho 2024

Uma breve abordagem sobre pós-modernidade.




Ninguém estuda essa porra. Essa é a nossa conclusão inicial. Dependendo do autor, pós-modernidade significa uma coisa, outro outra, e por aí vai.



Para alguns é a transição do capital industrial para o capital financeiro, para outros é estruturalismo e pós-estruturalismo francês, outros dizem que é essa onda de teoria queer e decolonial antirracista, tem gente que chama o pós-marxismo disso, por fim outros dizem que é essa sociedade imagética acelerada das redes digitais.


O que me faz concluir que não há leituras, muitas vezes pós-moderno é só um palavrão, assim como medieval e primitivo é para algumas pessoas.


Assim, eu prefiro manter a abordagem o máximo de minimalista possível. Justamente para não cair em problemas de compreensão e a gente não ficar discutindo coisas diferentes como se fossem iguais.


Pós-modernidade é essa condição moderna, gerida pelo neoliberalismo, de individualismo extremo, uma quantidade absurda de dados e informações, caracterizada muito pelas relações sociais mais rápidas, mais efêmeras, digitais e por um gerenciamento da vida voltado para produção e reprodução de dados.


Essa definição é baseada na realidade, ponto. Não tem essa de chamar colega de pós-moderno porque ele adota teoria queer, de ficar falando contra minorias e tal, usando uma suposta crítica à pós-modernidade.


A minha definição evita esse tipo de reacionarismo intelectual. Veja, o que é a universidade hoje senão um grande showroom de novos produtos para o mercado ?


Nessa sociedade que valoriza o digital, o trabalho intelectual é a principal fonte de lucro. Então faz sentido, dentro de uma perspectiva inclusive mercadológica, até mesmo o que era “desviante” algumas décadas atrás virar um nicho de mercado.


A Internet é democrática na medida que forma consumidores. O consumo online não é o mesmo da TV, que ainda abria um certo espaço para o coletivo, hoje a Internet é nada mais que um lugar que tem um produto para cada pessoa diferente.


Seja travesti, seja negro, etc. Cada um tem um produto personalizado para si mesmo. Os estudos da identidade ganham espaço justamente porque é nessa subjetividade que o capitalismo quer avançar.


Significa então que esses estudos são inválidos ? Não. Por isso eu gosto de ser bem reducionista no conceito, porque a gente pode olhar para esses fenômenos e denunciar o liberalismo, denunciar a insuficiência dessas políticas de inclusão pelo consumo (e evitar cair na onda PCO das ideia que é anti-minorias).


A grande questão também é que esse excesso de informação sobre o mundo (nem sempre verdadeira), cria uma dinâmica de “o mundo é pequeno demais”. Uma acontece lá na China e em menos de segundos nós temos a informação desse acontecimento. (cof cof COVID)


Agora a gente consegue avançar e colocar novas questões em pauta. Será que todo esse estímulo cognitivo não nos causa algum problema ? Será que a gente na verdade, emburreceu, por que apenas engolimos informações sem digerir ?


Ainda existe espaço e tempo para reflexão ?


Veja como trabalhar com o conceito, ao invés de usar ele como palavrão, possibilita que a gente possa pensar.


Leia os textos.

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